fragmentos do trabalho de João Castilho

quinta-feira, 25 de abril de 2013

inês? inês???




registro das barcas


não consegui pegar muitos momentos, ficava correndo de um lado para o outro para tentar registrar todos, mas fiz esse registro mais para que as imagens ajudem vocês na composição e para curtir um climão, né, gentch! ninguém é de ferro

quarta-feira, 17 de abril de 2013

rascunho


Dramaturgia criada em processo:

O projeto de construção da peça “Baleia”, surgiu como continuação de uma pesquisa iniciada em 2011 com a montagem da peça: “Ucrânia 3”. A pesquisa consiste na criação de dramaturgia autoral inserida no processo e na metodologia dos ensaios. Descobrir e construir a ficção, faz parte do processo. Desde 2011 o grupo de artistas, maior parte graduandos do curso de teatro da UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), buscam: criar metodologias e uma linguagem teatral que contempla a criação de dramaturgia autoral; um funcionamento colaborativo do teatro; diluir as fronteiras dramaturgia/ cena, para se retroalimentarem na produção do texto e do espetáculo. Um processo com dois resultados.

Para que a dramaturgia caminhasse junto com a cena foi necessário um primeiro momento com muita pesquisa e poucos ensaios. Entre o período de agosto de 2012 a fevereiro de 2013, a partir de oito ensaios com os atores, a direção em conjunto com a dramaturgia, elaborou um olhar específico sobre as relações estabelecidas entre eles. Ficcionalizar a sala de ensaio foi a primeira parte de processo, e para isso foi preciso buscar referências externas (peças, romances, textos teóricos, filmes, vídeos...), associar o que foi criado nos ensaios com o mundo, para depois, recomeçar com um esboço de ficção.

A primeira referência do processo foi a frase do Caetano Veloso: “Aqui tudo parece que era ainda construção e já é ruína” da música “Fora da ordem”. A frase é usada e citada em outros trabalhos artísticos, como uma série de fotos de João Castilho com mesmo nome, que registra construções abandonadas no Mali, África Ocidental : “É uma metáfora do terceiro mundo onde as tentativas e os desejos são sempre abortados.”. A imagem de um espaço que é abandonado antes mesmo de construir uma história, finalizar sua arquitetura, sugeriu para a dramaturgia de “Baleia” uma pesquisa com a superficialidade dos encontros casuais, com situações de encontros na multidão: um esbarrão, um cumprimento, “dá licença, por favor”. Trajetórias individuais que se esbarram no meio do fluxo cotidiano, mas retornam à sua individualidade. Histórias que são imaginadas e não se concretizam, não passam do início: o sujeito prefere vivê-las com segurança, como ideias em ruína.

Os ensaios começaram em fevereiro de 2013, e atualmente.................

sexta-feira, 12 de abril de 2013

você viu o beija-flor albino?


http://www.hypeness.com.br/2013/04/conheca-os-20-animais-albinos-mais-fantasticos-do-planeta/

Não vá ainda. Inês?


Dezembro. Manhã de um dia comum. Pego a barca no contra fluxo. Barca nova, de janelas pequenas, donde mal se vê o mar. Há quatros janelas maiores, duas em cada extremidade.
Dirijo-me para a janela que está de frente para Niterói, vejo o mar e me lembro de uns versos que dizem: 'quando morrer, voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar'. Numa fração de segundos sou interrompido por uma mulher bem baixa, negra, com sotaque paulista forte, perceptível nas duas palavras ríspidas trocadas comigo, “dá licença!”. Sem entender bem o que acontecia, me afastei da janela, ela puxa um dos coletes salva-vidas, que se encontrava de baixo de uma das poltronas, para usar como apoio para o salto que ela pretendia dar pela janela. Meio patético, lembrando agora. Tudo se deu muito rápido. Quando percebi, ela estava apoiada na janela, agarrei-a pelo braço e disse que não iria deixa-la fazer aquilo. Falei mais umas duas ou três frases cafonas; as pessoas viram aquela mulher pendurada na janela, começaram a gritar, seguranças e curiosos juntando-se em volta de nós, e ela enlouquecida com o coito interrompido. Ela, a do suicídio brochado, gritava que estava no Rio de Janeiro há oito meses e não conseguia trabalho, que estava dormindo na rua, que tinha uma filha, e eu fui me afastando, saindo do foco daquela cena, observando de longe, com meu braço arranhado por ela. Passei dias pensando naquela mulher, e no que teria acontecido depois. Teria ela pego outra barca e realizado sem interrupções seu ato? Teria ela escolhido outro modo de se mostrar senhora de si mesma e dado um tiro na cabeça? Tomado chumbinho comprado na Carioca?
Eu se fosse ela, teria escolhido a pedra do Arpoador num nascer de sol, sem ninguém para impedir. Ou, buscando uma morte pública e tão certeira quanto um tiro na boca, correria de encontro a um metrô chegando na estação na hora do rush. 

(Caso contado por Mauricio Lima)