fragmentos do trabalho de João Castilho
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sábado, 23 de março de 2013

Foi tudo predeterminado pela probabilidade matemática

para o Victor.

A proporção era sempre a mesma, 1 para 1.618 repetidamente. Padrões se escondem bem debaixo dos nossos olhos, só é precisa saber onde procurar. Coisas que a maioria das pessoas veem como caos, na verdade seguem sutis leis de comportamento. Galáxias, plantas, conchas marinhas, os padrões nunca mentem. Mas só alguns de nós conseguem ver como as peças se encaixam. 7 bilhões, 80 milhões e 360 mil de nós vivem neste pequeno planeta. Esta é a história de algumas dessas pessoas. Há um antigo mito chinês sobre o Fio Vermelho do Destino. Diz que os deuses prendem um fio vermelho no tornozelo de cada um de nós e o conectam a todas as pessoas, cujas vidas estamos destinados a tocar. Esse fio pode esticar ou emaranhar-se, mas nunca irá partir. Foi tudo predeterminado pela probabilidade matemática. E é meu trabalho ficar de olho nesses números. Fazer as conexões para aqueles que precisam se encontrar. Aqueles cujas vidas precisam se tocar. Eu nasci há 4.161 dias. Em 26 de outubro de 2000. 11 anos, 4 meses, 21 dias e 14 horas. E durante todo esse tempo... Eu nunca disse uma única palavra.

Hoje, enviaremos 300 bilhões de emails, 19 bilhões de mensagens de texto. Uma pessoa comum dirá 2.250 palavras para 7,4 bilhões de pessoas. E, ainda sim, nos sentiremos sós.

(Fragmento extraído do seriado "Touch")




terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Para o homem sobre Ana.

Opaa! Perdão,desculpas,me perdoa. Sério. Juro que vou sumir... Enquanto espero ficarei aqui tão quietinha que ninguém perceberá  minha existência. Nem mesmo eu. Então pare com essa mania irritante de ficar contando os meus gestos. Não é pra você nem ninguém me perceber, tocar ou mesmo ficar nessa tentativa inútil de salvar minhas palavras que vão caindo nesse abismo inacessível. Por isso prefiro me esconder atrás dessas metáforas. Eu sei que a gente nem se conhece mas eu precisava te fazer uma proposta que eu comecei a elaborar nos últimos minutos: Ao invés de ficar explanando a minha semi-inexistência fracassada , porque não me faz metáfora e pronto?. Não somos nós criação da sua cabeça? Não é você que tem o controle de tudo isso? É só inventar. Você é o dono do controle. Me reinventa metáfora e estará tudo resolvido. Eu sei que não vai me atender. Então pare de me olhar assim. Olhe para ela, que dança, ri e não tem medo de nada. Eu tenho. De gente. Aliás, ela faz questão de existir, dela não dá pra fugir, pois , mesmo se a gente fecha os olhos assim ó, dá pra sentir o cheiro da maçã verde que exala de seu corpo e que espalha por todo o espaço. Ela é a maçã, o espaço e a barca, tudo isso ao mesmo tempo. Não se pode duvidar que se chama Ana. E Ana só pode ser. A sua abundância de existência transborda em si e isso a faz com que exista menos. Queria existir menos. Queria ser Ana. Todos querem. E é por isso que a sua forma de limpar incomoda tanto. Ana existe menos e mais. Veja bem, meu nome aponta algo que não existe em mim e não adianta inventar histórias. EU NÃO TENHO CABELOS VERMELHOS, OK? E nunca tive. Por isso vivo do presente. Ele costuma passar muito rápido e as pessoas o esquecem com facilidade. Então beijarei meu umbigo porque se não faço...ah, você sabe... não durmo e fica cada vez mais difícil porque você descreve até os meus sonhos e não dá mais para fechar os olhos e pensar em outra coisa que não seja maçã.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Primeira tentativa de um primeiro encontro/ Queria não me envergonhar por ter escrito isso.


(Rory se joga em cima de um homem que passa.)

Rory: Ai desculpa é que você me deu uma vontade de me jogar assim.

Homem: É... Ok.

Rory: ( levantado-se) Pronto.

Homem:(embasbacado) Nossa! Eu realmente... Não sei como reagir.  Você... Me surpreendeu. É... (ri desconcertado) Parabéns.

Rory: Não me leve a mal. É que se eu não faço, não consigo dormir depois. Fico com essa dúvida de como seria, vira uma questão pra mim. É sério. Você nunca teve isso quando deixou de fazer alguma coisa?

Homem: Já, já... Eu compreendo.

Rory: Que bom. Tchau!

Homem: Espera. É que você é a primeira pessoa a me deixar assim... Sem saber o que fazer. Eu costumo ter resposta pra...

Rory:É... Eu sou uma pessoa de muitas perguntas.

Homem: E não é só isso. É que em determinado momento da vida a gente pensa conhecer todas as possibilidades de aproximação e de repente...

Rory: A gente nunca conhece tudo. Isso é uma conclusão tão óbvia. É interessante, mas acho que já disseram há mais de 2000 anos.só sei que nada sei.

Homem: Eu sei. Quer dizer... É diferente, perceber isso numa situação como essa, tão prática, tão pequena e ao mesmo tempo... suspensa.

Rory: Olha, eu realmente só queria pular em você.

Homem: Eu sei...

Rory: Que nada sabe agora. Que bom! Me sinto útil.

Homem: É que se você soubesse a vida que eu levo você entenderia...

Rory: Mas que vida hein?! Deve ser horrível essa sensação...

Homem: Como?

Rory: De saber como se portar em qualquer situação, de conhecer todos os tipos de pessoas, tudo perde o sentido né?

Homem: Talvez por isso o seu ato...

Rory: Ai chega! Eu não quero mais teorizar sobre isso. Eu sou movida pelas minhas vontades e isso as vezes é um problema. Não precisamos criar uma relação por causa disso... Você podia ter reagido de qualquer forma. Rolando pela calçada, imitando um cachorro, me jogando pra cima, sei lá... Eu não queria pensar, refletir, só não quis conter essa vontade... Agora com licença.

Homem: Ei! O seu nome pelo menos.

Rory: Como se isso tivesse alguma importância. Rory. Significa cabelos vermelhos e eu nem sou ruiva.

Homem: Não quer saber o meu?

Rory: Não. Tchau! (sai)