fragmentos do trabalho de João Castilho
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terça-feira, 5 de março de 2013

Vermelho ferrugem

Exatamente do jeito que te imaginei: antiga, enferrujada e com uma maquiagem grosseira de quem tenta te preservar (tinta branca, azul, preta e cinza – mal pintado, com relevos e irregularidades). A ferrugem é a cereja do bolo, a maquiagem feita pela tempo, o fantasma.

“Próxima saída com destino a Niterói às 9 horas e 50 minutos. Barca tradicional Martim Afonso.”








domingo, 3 de março de 2013

valsa



"O Arcano Menor 11 de Arco Íris - Aventura - Existe perigo por trás de todas as experiências da vida"

Nasceu sabendo do breu em que caminhava. Teimava em não pedir ajuda.
Era pra manter o coração pulsando vivo, as veias vivas, os pés...
Dentre tantos, esse foi só mais um passo que não escolheu dar. Achou parar duro demais.
Cambaleava torta na sua escuridão.
Sua Sorte foi ser abraçada pelo Abismo.

De onde vem isso que nos faz dar um passo depois do outro? Um passo depois do outro isso me veio, acho que foi nas Barcas se não me falha a ruína. O Mar  a minha frente, dançando, e eu pensando: como parar? Como negar o movimento dos pés? Esse parar é sério demais, pensei. Aí continuei, e foi só..

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Para o homem sobre Ana.

Opaa! Perdão,desculpas,me perdoa. Sério. Juro que vou sumir... Enquanto espero ficarei aqui tão quietinha que ninguém perceberá  minha existência. Nem mesmo eu. Então pare com essa mania irritante de ficar contando os meus gestos. Não é pra você nem ninguém me perceber, tocar ou mesmo ficar nessa tentativa inútil de salvar minhas palavras que vão caindo nesse abismo inacessível. Por isso prefiro me esconder atrás dessas metáforas. Eu sei que a gente nem se conhece mas eu precisava te fazer uma proposta que eu comecei a elaborar nos últimos minutos: Ao invés de ficar explanando a minha semi-inexistência fracassada , porque não me faz metáfora e pronto?. Não somos nós criação da sua cabeça? Não é você que tem o controle de tudo isso? É só inventar. Você é o dono do controle. Me reinventa metáfora e estará tudo resolvido. Eu sei que não vai me atender. Então pare de me olhar assim. Olhe para ela, que dança, ri e não tem medo de nada. Eu tenho. De gente. Aliás, ela faz questão de existir, dela não dá pra fugir, pois , mesmo se a gente fecha os olhos assim ó, dá pra sentir o cheiro da maçã verde que exala de seu corpo e que espalha por todo o espaço. Ela é a maçã, o espaço e a barca, tudo isso ao mesmo tempo. Não se pode duvidar que se chama Ana. E Ana só pode ser. A sua abundância de existência transborda em si e isso a faz com que exista menos. Queria existir menos. Queria ser Ana. Todos querem. E é por isso que a sua forma de limpar incomoda tanto. Ana existe menos e mais. Veja bem, meu nome aponta algo que não existe em mim e não adianta inventar histórias. EU NÃO TENHO CABELOS VERMELHOS, OK? E nunca tive. Por isso vivo do presente. Ele costuma passar muito rápido e as pessoas o esquecem com facilidade. Então beijarei meu umbigo porque se não faço...ah, você sabe... não durmo e fica cada vez mais difícil porque você descreve até os meus sonhos e não dá mais para fechar os olhos e pensar em outra coisa que não seja maçã.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Mecanismos do giro



- esse é principalmente pra Fe, e um pouco pra Ana. Foi gravado no segundo dia de ensaio, muito primário e genuíno. É ótimo perceber o corpo de vocês começando a escolher um caminho de exposição.
- um manual de instruções pro seu corpo Fe.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

sistema esbarrão 3B



sistema esbarrão 3B from Bernardo Lorga on Vimeo.

- "Vale só o que você está vendo, ou o que está imaginando também?
- Corpos da Fe e do Victor pós esbarrão.
- Inserções da Ana no diálogo Fe/Victor (Um lugar que você já vem descobrindo em Ucrânia que é ótimo de trazer de vez em quando).
- Victor seduzindo o jogo a seu favor o tempo todo, com uma certa canastrice e um sentimento de protagonismo infantil (maravilhoso!). À vontade.
- Ótimo acerto de contas fora do tempo da Fe. Uma reviravolta: no início meio confusa e assustada com o jogo do Victor, depois estratégica e maliciosa.
- Relação de intimidade entre Victor e Ana.
- Ana bruta, segura, ganhando vantagem do Victor na força física.
- Supremacia das mulheres.
- Ana retomar a barca como violência (um assunto fantasma que paira como a figura do Victor).
- Fe vaidosa.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Inês segue uma pessoa da rua.


Oi, você tem um minuto? Por favor, não me entenda mal, a gente nem se conhece, mas eu precisava falar algumas coisas que eu comecei a pensar nos últimos minutos. Talvez eu já venha pensando há algum tempo, mas como a gente só se conheceu agora, acho que posso começar a formular ou talvez eu só vá dando vazão ao que eu preciso dizer de forma que você tente arquitetar as minhas ideias como suas e de alguma forma crie uma linha que não necessariamente tenha sentido, mas que siga alguma direção ou simplesmente nos ponha em outro lugar. Escuta, fracassei na minha maior pretensão: a sua satisfação. "Sua" nesse caso é uma terceira pessoa que pode, ou não, estar aqui. Já não duvidei o suficiente da minha maturidade e da minha capacidade de lidar com as expectativas de uma vida feliz. Afinal, liberdade é prazer? Quero viver sem pensar que estou vivendo, sem metalinguagem, sem dissimular risos, não quero falar sobre o vácuo. Desculpa a pessoalidade, eu queria recitar uma poesia, mas parte do que consigo arquivar se torna rancor com o tempo. Isso é só um desabafo pro primeiro que passa na rua. O desconhecido, despreparado que não posso decepcionar. Minha cabeça funciona como uma fábrica de ideias, e para que você consiga acompanhar meu raciocínio eu preciso te explicar uma coisa: tudo pra mim é uma construção, um prédio, uma mansão, uma cobertura, um palácio, um museu, um monumento. Um monumento é uma estrutura construída por motivos comemorativos, mais do que para uma utilização de ordem funcional. Lembrar dói. Já construí em idéias, os Arcos da Lapa / Auditório Ibirapuera / Catedral de Brasília / Cristo Redentor / Elevador Lacerda / Monumento a Independência da Bahia / Estação Cantareira / Memorial da América Latina / Monumento às Bandeiras / Monumento do Ipiranga / Monumento aos Pracinhas / Monumento a Ayrton Senna / Monumento a Ramos de Azevedo  / MAC (Museu de Arte Contemporânea) / Obelisco do Ibirapuera / Oca  / Paço Imperial / Palácio da Alvorada / Palácio dos Bandeirantes / Palácio do Catete / Palácio de Cristal / Palácio dos Correios /Palácio Guanabara / Palácio das Indústrias / Palácio do Itamaraty / Palácio do Planalto / Palácio Tiradentes / Panteão Duque de Caxias / Pátio do Colégio / Ponte Estaiada / Ponte dos Jesuítas / Ponte Hercílio Luz / Ponte JK / Ponte Rio-Niterói / Quinta da Boa Vista / Torre Mercês  / Viaduto Santa Ifigênia

Será que tudo já virou ruína?

Continua fazendo o que tem para fazer, e quando arrumar tempo, pensa no que eu te disse. Pode ser nos entreatos, nas transições, não demanda muito tempo. Se você tiver qualquer conselho, escreve e deixa aqui dentro dessa bolsa com uma paisagem desenhada, ela sempre fica por aqui, é importante. Quem sabe qualquer dia eu venha ler no impulso. Se isso acontecer e você não tiver escrito nada, com certeza vou sofrer um pouquinho. Talvez algumas lágrimas de rancor. Mas também existe o risco de eu não ler, porquê esse excesso de informação me mata.

Nu dúvida, quando você arrumar tempo e terminar o que tem pra fazer me responde, ok? Tchau.

domingo, 30 de dezembro de 2012

A, B, Inês e Analu

A - Opa, desculpa
B - De nada.
A - Machucou?
B - Médio. Eu gosto.
A - Entendi. Que pena. Eu tinha uma certa expectativa.
B - Não vem com esse papo pra cima de mim. (risos)
A - Não, é sério. Eu te vi e pensei: "ela é diferente".
B - De mim.
A - De mim.
B - Você é engraçada.
A - Eu sou bem sem graça na verdade
B - Pra mim você é engraçada.
A - Pra mim.
B - Pra mim.
A - Você mora aqui perto?
ANALU - Tanto faz
A - Oi?
B - E você é?
ANALU - Eu sou só isso aqui mesmo.
B (para A) - Acho que ela é Inês.
A - Ah, eu ouvi alguma coisa do tipo.
B (para A) - Você é daqui, então?
ANALU - Defina daqui
A - Daqui é daqui. Daqui desse lugar. Daqui.
ANALU - Gerada, concebida, nascida, crescida e envelhecida nesse metro quadrado daqui? Parece desesperador.
B (para Analu) - Eu acho que já te odeio.
ANALU - Nossa
A - É, nossa!
B - Nossa o que?
A - Nossa o que o que? Só Nossa.
B -  Porque "nossa"? De onde vem isso? Nossa? (elisa?)
ANALU - Nossa, de alguma coisa que pertence a nós. É como culpar toda a humanidade pelo erro de um.
A - Acho que é só Nossa. de Nossa Senhora.
B - Que senhora, gente? Que senhora é essa?
ANALU - Inês! Será?
A - Ah, então você não é Inês?
ANALU - Eu? Não.
A e B - Pena
ANALU - É, que pena. Bom, desculpa...
A -  É, a gente tinha uma certa expectativa.
(acenam e saem, para lados opostos)