fragmentos do trabalho de João Castilho
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terça-feira, 5 de março de 2013

Ruína da barca


Só meu.
Velhinho me olhando de cima abaixo. Um menino do lado que parece estar o acompanhando. O menino vai ao banheiro sem dizer nada. Que estranho. Logo depois vai o mais o homem velho. Um homem na porta do banheiro olha para a porta se fechando, em seguida me olha cheio de comentários. Acho que ele queria me dizer alguma coisa mas desistiu. O homem mais velho volta depois de um tempo que não saberia dizer, continua me encarando. Será que ele é pai do menino? Menino volta e parece que disfarça alguma coisa. Será?! Ficantes? A barca chega no destino, o menino se levanta e vai embora destruindo todas as minhas expectativas. O velho vai atrás.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Tá bom, eu fecho a porta!



- Diálogo da mulher no metrô, Fe e Victor
- Elisa angustiada, acelerando o tempo das coisas
- Ana, Fe e Victor, ótimos suportes de cena para a Elisa
- Relação de apoios dos corpos, Elisa e Fe
- Quedas da Elisa no chão, impulsionadas pela Fe
- Fofoquinha que se transforma em narração/ descrição complementar, Ana e Victor - 2 narradores
- Imagem: triângulo equilátero Ana, Victor e Fe. Elisa em baixo, séria e descabelada
- Risada da Fe - tentativa de se incluir na conversinha
- Exclusão da Elisa. Opressão da Ana, Victor e Fe.
- Relação de apoios que se repete, Elisa e Fe - irmãs siamesas

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Inês segue uma pessoa da rua.


Oi, você tem um minuto? Por favor, não me entenda mal, a gente nem se conhece, mas eu precisava falar algumas coisas que eu comecei a pensar nos últimos minutos. Talvez eu já venha pensando há algum tempo, mas como a gente só se conheceu agora, acho que posso começar a formular ou talvez eu só vá dando vazão ao que eu preciso dizer de forma que você tente arquitetar as minhas ideias como suas e de alguma forma crie uma linha que não necessariamente tenha sentido, mas que siga alguma direção ou simplesmente nos ponha em outro lugar. Escuta, fracassei na minha maior pretensão: a sua satisfação. "Sua" nesse caso é uma terceira pessoa que pode, ou não, estar aqui. Já não duvidei o suficiente da minha maturidade e da minha capacidade de lidar com as expectativas de uma vida feliz. Afinal, liberdade é prazer? Quero viver sem pensar que estou vivendo, sem metalinguagem, sem dissimular risos, não quero falar sobre o vácuo. Desculpa a pessoalidade, eu queria recitar uma poesia, mas parte do que consigo arquivar se torna rancor com o tempo. Isso é só um desabafo pro primeiro que passa na rua. O desconhecido, despreparado que não posso decepcionar. Minha cabeça funciona como uma fábrica de ideias, e para que você consiga acompanhar meu raciocínio eu preciso te explicar uma coisa: tudo pra mim é uma construção, um prédio, uma mansão, uma cobertura, um palácio, um museu, um monumento. Um monumento é uma estrutura construída por motivos comemorativos, mais do que para uma utilização de ordem funcional. Lembrar dói. Já construí em idéias, os Arcos da Lapa / Auditório Ibirapuera / Catedral de Brasília / Cristo Redentor / Elevador Lacerda / Monumento a Independência da Bahia / Estação Cantareira / Memorial da América Latina / Monumento às Bandeiras / Monumento do Ipiranga / Monumento aos Pracinhas / Monumento a Ayrton Senna / Monumento a Ramos de Azevedo  / MAC (Museu de Arte Contemporânea) / Obelisco do Ibirapuera / Oca  / Paço Imperial / Palácio da Alvorada / Palácio dos Bandeirantes / Palácio do Catete / Palácio de Cristal / Palácio dos Correios /Palácio Guanabara / Palácio das Indústrias / Palácio do Itamaraty / Palácio do Planalto / Palácio Tiradentes / Panteão Duque de Caxias / Pátio do Colégio / Ponte Estaiada / Ponte dos Jesuítas / Ponte Hercílio Luz / Ponte JK / Ponte Rio-Niterói / Quinta da Boa Vista / Torre Mercês  / Viaduto Santa Ifigênia

Será que tudo já virou ruína?

Continua fazendo o que tem para fazer, e quando arrumar tempo, pensa no que eu te disse. Pode ser nos entreatos, nas transições, não demanda muito tempo. Se você tiver qualquer conselho, escreve e deixa aqui dentro dessa bolsa com uma paisagem desenhada, ela sempre fica por aqui, é importante. Quem sabe qualquer dia eu venha ler no impulso. Se isso acontecer e você não tiver escrito nada, com certeza vou sofrer um pouquinho. Talvez algumas lágrimas de rancor. Mas também existe o risco de eu não ler, porquê esse excesso de informação me mata.

Nu dúvida, quando você arrumar tempo e terminar o que tem pra fazer me responde, ok? Tchau.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Sequelas do cinza

Porta, chave,elevador, prédio, porteiro.Bom dia seu André.Confere: carteira,celular,chaves,livro. Rua, mundo verde, banca, metrô, telefonema. Desiste. Volta. Barraquinhas, mundo verde, rua, sinal.Vermelho. Espera. Verde, anda. Restaurante,posto, papelaria, não tem papel higiênico em casa. Supermercado.Erra. Era papel tolha volta. Agora sim. Passa pela fileira de chocolates e mesmo marcando 38 graus no relógio em frente não resiste. Pega um. Fila. Próximo.Próximo. Chega a vez. Deu 10,49 senhora. Não escuta. Tira o fone do ouvido. Ah,sim 10,49. Mochila. Confere: chave,celular e .....queria ter escrito carteira agora. Procura nos outros compartimentos da mochila, nada. Corre. Papelaria, posto, restaurante,nada. Sinal . Não espera e atravessa. Mundo verde, Barraquinhas,metrô,banca, nada. Confere a mochila de novo. E de novo. Desespero. IdentidadeTrintaReaisCartãoDoBancoCaralhoFudeu. Choro. Engole. Rua,porta,portaria,André, elevador, chave,casa, sofá. Olha para o nada. Não tem solução.Burra,burra,burra,burra! Vazio.Chora.Controle. Liga. Pernalonga. Esquece as vezes,  entre as cenas sem ação lembra.A cada lembrança se torna menos grave. Agora é mais importante saber se dessa vez o Pato Lino irá conseguir se vingar de seu companheiro. Pato Lino, carteiracarteiracarteira, Pernalonga ,carteira,comercial, car...ih, esse ator não é aquele que fez..como se chama mesmo? Descobre como esquecem de políticos corruptos tão rápido. Ri de si mesmo. Para rápido. Não pode se permitir rir numa situação dessas. Força um choro. Tenta lembrar da carteira para se emocionar. Nada. 


Procura-se carteira branca relativamente velha com pequenos e patéticos ursinhos desenhados. Dentro dela continha identidade,cartão do banco, aproximadamente 30 reais e o mais importante: Guardava um choro que precisava  com urgência sair da garganta.

Coração,garganta,paladar, olhos e nada.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

horizonte...


  • espaço sem memória e espaço incorpóreo
  • extinções, esquecimentos, distrações, detalhes
  • construir expectativas em ruína
  • expectativas depositadas em objetos aleatórios
  • medos privados e fantasias pessoais em lugares públicos
  • buscar impossibilidades e impedimentos para estabelecer um encontro. dissimular

coincidência

gente! que loucura, essa vida. estava há dois segundos atrás pensando se eu te encontraria e de repente, bum. você aparece. um segundo a mais, eu, provavelmente, nem te encontraria. não é hilário?! sabe essas ocasiões inesperadas que parece que foram projetadas, arquitetadas, terceirizadas assim como esse chão de cimento rachado pela calçada inteira que faz transbordas pequenos pedaços de verde, tentando inutilmente sobreviver. tentando inutilmente sobreviver. é. isso. resume um pouco dos meus últimos meses, mas isso não faz menor diferença, porque no final das contas vale o que é engraçado. o que faz cócegas e passa. eu acho você uma graça. graça, mesmo, gracinha. que faz rir. você, gracinha, acabou de surgir há 60 segundos na minha frente e meu dia ficou muito mais interessante. sabe? quando você acha alguma coisa pra colorir a porra do dia monótono de uma segunda-feira nublada, todo mundo pegando a porra da bolsa e indo fazer a porra de um trabalho mecânico de merda. é isso. esses momentinhos fofinhos de alegria instantâneos assim como a porra desse miojo nessa buceta dessa propaganda que fica piscando na minha frente toda vez que eu cruzo a esquina. mas é bem assim. tranquilo. as coisas falam por si só. eu nem te escuto no meio do barulho dos carros. talvez isso não faça a menor diferença. (Padu me mandou por facebook)



pequenos encontros - reencontros - coincidências - repetições - redescrições - acaso - reconhecimento - interseções - expectativas aleatórias - objetos de desejo - pequenas verdades - convicções - dissimulações

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

expectativas privadas em lugares públicos

público
adj público, pública ['publiku, 'publikɐ].
que depende do Estado
que pode ser utilizado por todos
conhecido por todos

Que se refere ao povo em geral: interesse público.
Relativo ao governo de um país: negócios públicos.
Manifesto, conhecido por todos: rumor público.
A que todas as pessoas podem comparecer: reunião pública.

subst m público
a população
conjunto de espectadores

Sinônimos de público:
apregoado, auditório, comum, manifesto, notório, povo e sabido