fragmentos do trabalho de João Castilho
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sexta-feira, 8 de março de 2013

Arquitetura




Madeira e ferro suspensos por água.
Chão de cimento apesar de instável.
Como é andar na barca?
É como pular na cama elástica e depois andar.

Objetos:
- jornal/ revista
- lixeira
- extintor
-ventilador com água saindo (sala de espera)
- bolsas de topo tipo (até malinhas de rodinha)
- televisões informativas
- prendedores de cabelo de todo tipo (Inês escolher um)
- muitos coletes salva-vidas
- uma bandeira do Brasil toda fudida
- luminária antiga em formato de lampião
- grades brancas
- cigarro
- correntes enormes
- bancos de madeira pintados parte deles de azul, e outra parte (minoria para os incapacitados) de laranja.
- bebedouro  COM DEFEITO
- uma corda muito grossa
- aparelhos de música diversos
- autofalantes pequenos
- escadas
- faixas de atenção desenhadas no chão 

Cores:
Branco (tinta)/ cinza (ferro)/ vermelho (ferrugem, extintores, alguns detalhes)/ preto (tinta,  faixa de atenção, detalhes)/ azul (tinta, cadeiras, datelhes)/ amarelo (faixa  de atenção)/ laranja (cadeiras  especiais)

Imagens:
·         distante:  mar com purpurinas de luz causadas pelo sol batendo na água X próximo: mar negro, avermelhado
                           Brilhoso X Negro – efeitos de iluminação
·         imagem da terra se afastando, a cidade virando paisagem – estruturas grandes ficando pequenas.
·         a dispersão do dia a dia nas roupas – coloridas e com caráter heterogêneo (figurinos muito realistas com uma teatralidade muito específica e individual)
·         redemoinhos no mar causados pela espuma e turbina da barca.
·         Fe com um cigarrinho de palha, muito blaze contemplando a paisagem, e o velhinho do lado.
·         Elisa com ar de perdida – pessoas do lado pensando: ou é uma criança perdida, ou é um pouco louca (uma velhinha chegou a esconder a bolsa, depois de Rory pular de banco em banco e passar por ela sem nem olhar). Muito distraída.
·         Victor com bolsa + máquina + óculos (pode ser pego da Inês). Bem turista à vontade.
·         Ana escondida, vestindo um colete salva vidas tirando fotos de si mesma.
·         Uma mulher com uma saia muito leve, comprida que lambe o espaço com o vento.
·         Espuma da barca (turbina) X espuma do extintor
·         Pessoas fazendo fila pra sair X tentando passar ao mesmo tempo.

terça-feira, 5 de março de 2013

Ruína da barca


Só meu.
Velhinho me olhando de cima abaixo. Um menino do lado que parece estar o acompanhando. O menino vai ao banheiro sem dizer nada. Que estranho. Logo depois vai o mais o homem velho. Um homem na porta do banheiro olha para a porta se fechando, em seguida me olha cheio de comentários. Acho que ele queria me dizer alguma coisa mas desistiu. O homem mais velho volta depois de um tempo que não saberia dizer, continua me encarando. Será que ele é pai do menino? Menino volta e parece que disfarça alguma coisa. Será?! Ficantes? A barca chega no destino, o menino se levanta e vai embora destruindo todas as minhas expectativas. O velho vai atrás.

domingo, 3 de março de 2013

valsa



"O Arcano Menor 11 de Arco Íris - Aventura - Existe perigo por trás de todas as experiências da vida"

Nasceu sabendo do breu em que caminhava. Teimava em não pedir ajuda.
Era pra manter o coração pulsando vivo, as veias vivas, os pés...
Dentre tantos, esse foi só mais um passo que não escolheu dar. Achou parar duro demais.
Cambaleava torta na sua escuridão.
Sua Sorte foi ser abraçada pelo Abismo.

De onde vem isso que nos faz dar um passo depois do outro? Um passo depois do outro isso me veio, acho que foi nas Barcas se não me falha a ruína. O Mar  a minha frente, dançando, e eu pensando: como parar? Como negar o movimento dos pés? Esse parar é sério demais, pensei. Aí continuei, e foi só..

sábado, 16 de fevereiro de 2013

mentiras sinceras me interessam

O Amor é o ridiculo da vida.
A gente procura nele uma pureza impossivel, uma pureza que está sempre se ponde, indo embora.
A vida veio e me levou com ela, sorte é ser abandonado e aceitar essa vaga idéia de paraiso que nos percegue, bonita e bela.
Como borboletas que só vivem 24 horas.
Morrer não dói.
(Cazuza)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Pensei andando ..



    Paro para pensar sobre essa relação,mais cíclica até do que intensa, com  a VERDADE e o PRESENTE.  Respectivamente a primeira  é o que existe e que, por  tanto, como todo o existir está subitamente fadado a ser o eterno dependente do PRESENTE. Não foi a toa que nosso amigo Descartes conjugou a sua famosa e eterna conclusão no tal verbo. Penso logo existo. A verdade não é nada mais nada menos do que se deixar estar-se no presente. Um exemplo de tal afirmação são os atores  que pensam muito para se quem está  na plateia e acabam por racionalizar movimentos transformando o teatro em uma eterna mentirinha bem contada.Utiliza-se bem da arte quem  permite-se  cometer suicídios em prol do que precisa ser dito , arrancando-se de qualquer  convenção futura , deixando de existir para dar lugar ao grito de cem ,duzentas,mil poesias  de  todos os cantos sensitivos da mente humana. A mentira não cabe no presente, pois, o tempo de pensamento é curto demais  dentro dele. Uma boa escrita sempre parece que não é sua para o escritor.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Só de azul.


Não. Definitivamente não vale o que imaginamos e nem sorrir desse jeito pra cobrir o silêncio que sempre fica. É sempre assim: O azul se espalha pela sala impossibilitando a busca por distrações em outras cores. Eu e o azul. Se ao menos houvesse vitrais nessa janela os olhares poderiam se desviar de vez em quando e daria tempo para disfarçar a ansiedade de se suprir algo de que já não lembro mais  se existe. Aí os pés se movem numa ansiedade verdadeiramente planejada para disfarçar a espontaneidade falsa. Ainda existe muito azul para pouco eu. Dou uma espiada. Espiadela de nada. Juro. Um, dois, três pares de olhos que se multiplicam quando olhados dessa posição. O corpo reage com um sorriso tímido que começa bem pequenino e logo se espalha pelo rosto inteiro engolindo algumas das muitas sardas. Tenho a impressão de que as palavras que menos queremos demonstrar são as que sempre ficam extremamente estampadas. Talvez tudo isso seja culpa do azul e por isso que vou começar a contar por ele. Não vale porque não é concreto, entendem? Temos que ser concretos porque se não vira bagunça com facilidade.  Eu tenho que contar né? É que todo mundo chegou aqui e contou. Eu vou contar as tomadas, depois os tacos do chão. Aí eu vou contar os livros. Depois os canos… depois eu conto os dedos e as sacolas plásticas...não....do início porque tem a história das persianas e da rinite... Também tem um caso curioso... como era mesmo? Havia algo parecido com barcas e sangue...não...Acho que sonhei.... ou foi uma piada. Os pés voltam a bater com força. A perna aberta e empapada reforça ainda mais o que eu não queria dizer. Se mais alguém aparecesse eu iria me jogar  e dizer:
      - Agora tá com você!
Não dá. Afinal, sou uma mulher e se um corpo for encontrado....assim..não...eee...ah,não sei explicar. Deixa pra lá. Acho melhor não. 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

posição de cachorrinho


(Analu conta os segundos de forma cronológica, apesar de se distrair às vezes. Victor esbarra na Fernandinha por baixo)
Fe- Ai! Como assim?!
(se olham)
Fe- Oi?! Tudo bem? Tudo bem? Tá?! (Dá um tapa na cara de Victor e sorri) Hein?!
(Victor deita no chão com as pernas suspensas e as mãos tapando o rosto: posição de cachorrinho. Analu para de contar por segundos)
Fe (para Analu) - Espera só um pouquinho? Aconteceu alguma coisa aqui com ele. Olha.
(Analu ri e continua contando. Fe faz cafuné na cabeça do Victor)
Fe (ronronando) - Ei! Psiu! Psiu!
(Victor dá um susto. Fe pula pra trás)
Fe - Ahh! Ará-rá-rá!
Analu (para Fernandinha) - Te pegou hein!
Victor (abraçando a fernandinha e rindo) - Tudo bem? Desculpa, a gente mal se conhece não é?!
Fe (esquiva) - Porque você chegou assim desse jeito por baixo?
Victor - Eu gosto de chegar assim inesperado (gira Fernandinha pro lado). Causa mais surpresa.
Fe - Ai.
(Victor vai em direção à Fernandinha)
Fe (se fazendo de vítima) Não...
(Analu e Victor gargalhando)
Victor- Você tá com medo?
Fe- É porquê tu chegou em mim...(confusa)
Victor - Ué, a gente mal se conhece.
(Fe e Victor num jogo de empurra e se aproxima)
Fe- Você vai... Você tá... Eu que tenho que. Eu que tinha que...
Victor: Qual seu nome?
Fe- Eu?
Analu- 22.
Fe- 22...
Victor- 22? (aponta para Fe)
Fe- Porque você tá apontando esse dedo pra mim assim? Porquê? O quê? (se aproxima da Analu) Olha pode me dar...
(Victor provoca Analu)
Fe (para Ana)- deculpa? A gente não se conhece...
Analu- Não.
Fe - Não.. Mas olha só, a gente está dividindo o mesmo espaço e ele (aponta para o Victor implicante) e essa pessoa chegou ali..
(Victor provoca Ana)
Ana (entre a contagem)- Ihh...
Fe- Viu? Vai sobrar pra ti.
(Ana encara Victor)
Victor (eufórico de diversão)- Ela tá te manipulando, você não tá percebendo?
(Ana imobiliza o Victor pelo cabelo)
Fe- Segura, segura...
Analu- Fala pra ela que você adora ela! Fala!
Victor- Eu adoro você!
Analu- ... Foi um prazer te encontrar na barca! Fala! Eu vim de barca nova!
Fe- Fala!
Victor- Eu vim de barca nova e foi um prazer te encontrar!
Fe- Agora ajoelha! Isso! fala! fala.
Victor- Foi um prazer te encontrar na barca nova.
(Analu volta a contar)
Fe- Que mais? hum? que mais?
Victor- Você fica ótima de listra. Você fica ótima de listra.
Fe (vaidosa)- Que mais?
Victor- Seus dentes são lindos. Seus dentes são lindos.
Fe (se aproxima do rosto do Victor e fala baixinho)- Fala!
Victor- Eu adoro seu sotaque. Eu adoro seu sotaque.
Analu (para a Fe)- Eu acho que já deu. O que você acha?
Fe- Não, não deu ainda.
Analu- Não?
(Fe balança a cabeça e o corpo do Victor em direção ao chão)
Fe- Olha só, o que você tem que falar, e tem que ter uma explicação muito boa, é porque que tu chegou assim por baixo, ali! E porque tu fechou o olhinho depois, e porque tu ficou naquela posição de cachorrinho, e depois me deu um abraço, e tu nem me conhece! (bica o Victor) Hein?!



sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Sequelas do cinza

Porta, chave,elevador, prédio, porteiro.Bom dia seu André.Confere: carteira,celular,chaves,livro. Rua, mundo verde, banca, metrô, telefonema. Desiste. Volta. Barraquinhas, mundo verde, rua, sinal.Vermelho. Espera. Verde, anda. Restaurante,posto, papelaria, não tem papel higiênico em casa. Supermercado.Erra. Era papel tolha volta. Agora sim. Passa pela fileira de chocolates e mesmo marcando 38 graus no relógio em frente não resiste. Pega um. Fila. Próximo.Próximo. Chega a vez. Deu 10,49 senhora. Não escuta. Tira o fone do ouvido. Ah,sim 10,49. Mochila. Confere: chave,celular e .....queria ter escrito carteira agora. Procura nos outros compartimentos da mochila, nada. Corre. Papelaria, posto, restaurante,nada. Sinal . Não espera e atravessa. Mundo verde, Barraquinhas,metrô,banca, nada. Confere a mochila de novo. E de novo. Desespero. IdentidadeTrintaReaisCartãoDoBancoCaralhoFudeu. Choro. Engole. Rua,porta,portaria,André, elevador, chave,casa, sofá. Olha para o nada. Não tem solução.Burra,burra,burra,burra! Vazio.Chora.Controle. Liga. Pernalonga. Esquece as vezes,  entre as cenas sem ação lembra.A cada lembrança se torna menos grave. Agora é mais importante saber se dessa vez o Pato Lino irá conseguir se vingar de seu companheiro. Pato Lino, carteiracarteiracarteira, Pernalonga ,carteira,comercial, car...ih, esse ator não é aquele que fez..como se chama mesmo? Descobre como esquecem de políticos corruptos tão rápido. Ri de si mesmo. Para rápido. Não pode se permitir rir numa situação dessas. Força um choro. Tenta lembrar da carteira para se emocionar. Nada. 


Procura-se carteira branca relativamente velha com pequenos e patéticos ursinhos desenhados. Dentro dela continha identidade,cartão do banco, aproximadamente 30 reais e o mais importante: Guardava um choro que precisava  com urgência sair da garganta.

Coração,garganta,paladar, olhos e nada.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Primeiro dia

 Perdoem a menina por não saber dançar
Perdoem a menina por fraquejar, por não conseguir disfarçar a vergonha e por se colocar na posição menina. A perdoem por negar improvisações, não saber o que fazer e por não ter asas na cabeça. É que ela ainda precisa de justificativas e se prende na tentativa inútil de construir o que nem ruína chegou a ser. Talvez, quem sabe, ela um dia irá entender que é preciso abandonar as roupas usadas e mergulhar...no que mesmo? Talvez naquilo que a essa altura seria como dizer se chove ou faz sol. Que bobagem menina...deixe que a mistura do mistério caia de boca no  arco íris! É o que dizem por aí.
  A menina queria sumir, achou mais razoável vomitar e acabou engolindo.
 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Depois

depois de muito tempo, mais muito tempo mesmo, depois ainda de ter olhado em volta várias vezes; de ter coçado as feridas da perna; de ter sentido sede e preguiça é que se dou conta de que não estava em casa. e que também não conhecia a paisagem que lhe abrigava.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Versão do texto da Ana



"Por favor, não me entenda mal, a gente nem se conhece, mas eu precisava falar algumas coisas que eu comecei a pensar nos últimos minutos. 

É que
ainda não tinha respondido por uma falta de sei lá, talvez coragem... não sei sempre que tento me expor pareço tão ridícula que acabo desistindo no meio do caminho... então vou dizer que o importante aqui não é que vai sobrar algo de bom pra me elogiarem depois, tá? E agora com essa tranquilidade e todo o choro e arrepio que a nossa cacazinha me deixou vou dividir com vocês / é que na verdade uma vez terminei um namoro sem perguntar nada a ninguém e as pessoas / e a pessoa / me acusou de ser egoísta / pensando melhor foram dois namoros os únicos e nem era tão namoro assim mas o que eu ia dizer é que eu não sou egoísta e que se agora esse ano tudo isso tem acontecido, me desculpem não entender nada e nem o que eu escrevo o que importa mesmo, o que eu realmente ia dizer é que ucrania sabe? tudo tão / assim tudo / tão assim tudo tão que esse ano foi tanta coisa... eu não sei mais o que eu sou, nem o que eu quero dizer... Entende? É que pra mim a arte é só uma forma de não ficar louca, sabe? e de repente toda essa ideia de ser incrível não me deixa sair de mim..... e me sufoca.... eu preciso saber o que eu tenho pra dizer antes de sair falando... desculpem vocês que estão lendo essa merda... eu tinha que ter pensado antes... até isso era melhor não ter escrito e só pensado mas agora já foi. É tanta coisa tão tudo assim esse ano que eu nem sei por onde começar... Não tem começo... Então, é que eu ainda to sufocada sabe? eu tenho um problema que não me deixa vomitar... não sei se uma doença mas um problema... talvez isso aqui.. enfim... o que eu queria dizer é que meu Deus ainda não sei, sabe? se vou conseguir... se vou conseguir... me desculpem os fiéis escudeiros que eu tanto amo... que tanto conheço e me conhecem que tanto nem sei.... o bê também com essa mania de te conhecer pelos restos que deixa no palco me deixa nua.... e antes fosse só de pele... Mas não era nada disso... eu ia falar com você, bezudo, na sexta... ia falar com vc cla, vc peidu... antes de mandar esse e-mail, mas a cacá me deixou desconcertada e parece que a gente sempre escolhe caminhos diferentes pra aprender as mesmas coisas.... o que importa mesmo é que apesar de estar ainda convivendo com meus pares, aprendendo a aprender com as pessoas e as coisas ainda não consigo me encontrar nisso tudo e é delirante.... Sério.... To me sentindo uma idiota falando isso mas me dá até vertigem pensar no vazio... é tanta gente... a multidão que sufoca sem nem te encostar e vc percebe que encontrou parceiros lindos na vida mas não sabe o que fazer com isso porque você continua querendo sumir / e ser ingrata com a vida e com eles... sem saber nem pra onde mas vc quer ir.... sair fugir... é que esse ano tanta coisa tanto tudo tão assim... eu queria dizer que não vou estar com vocês... que não vou aguentar... que estou prestes a explodir... que foi tanta coisa esse ano e vocês devem saber que absorver o espaço..... vocês precisam saber.... absorver o espaço.... dá um vazio tão cheio que explode explode explode em fagulhas de sangue... congelam no ar é uma coisa horrível vocês não iam querer assistir... É que agora eu já não sei mais se continuo...  Queria pedir desculpas pelo que falei sobre a arte ser só uma coisa de não ficar louca, sei que vocês não pensam isso e que tem raiva de quem acha que teatro é terapia... bom... ah, foda-se tb, não era isso.... a questão é que sinto que preciso de um tempo... não um, desculpa de novo, mas o meu... foi esse que no meio de tudo isso, de tanta gente, quando eu achei que estava encontrando, reconhecendo e ia ser um encontro tão lindo se vocês soubessem... iam chorar muito... me lembrei do filme Ghost agora... iam chorar que nem quando eu assisto ele, não vocês pq vocês não devem chorar, mas eu... então... o tempo, né? É isso... Saturno tá me deixando meio pirada mesmo... ele tá me apertando com seus anéis como se fossem cobras daquelas que matam pessoas esmagadas... é assim que eu me sinto... então eu não sei, entende? preciso que ele me afrouxe os anéis... o tempo nos mata mas é nele que vivemos e eu preciso encontrar o meu tudo aquilo tanto quando talvez até construir o meu que eu nem conheci e já virou ruína ou cobra ou anel sei lá... é que eu não sei se continuo... aquilo que nem era construção que já virou ruína sabe? eu só tenho 20 anos e tanto drama... Meu Deus... Talvez tivesse que assistir mais o Balanço Geral... Mas é que não sei se continuo.... entendem? ah quando terminarem o que tiverem pra fazer se não tiverem nada, nada mesmo pra fazer podem ler, eu devia ter escrito isso antes né? pra polpar vocês, mas tb, 2 minutinhos, né? Sei que não tem uma resposta assim pra me darem... eu é que decido, né? mas quando puderem me mandem uma coisa... qualquer... um ok, um faz o que bem tender... um foda-se... um carinho... aaah careeente! hahahaha que merda talvez eu só não queria ficar sozinha apesar de ficar brigando com quem chega perto... Quando você terminar o que tem pra fazer, me responde, ok?"

Versão do texto da caca




  
Por favor não me entendam mal, é que eu conheço tanto vocês que me permiti falar algumas coisas que eu comecei a pensar nos últimos minutos. Eu não estou de acordo em começar desconstruindo e não era essa de fato a minha intenção, nem faz o meu gênero, vocês me conhecem, a gente se conhece. Tanto que até me dou esse direito, ou licença poética, levando em consideração o título do nosso projeto, se é que posso me referir a ele desse modo. Também não sei se posso chamar isso de começo, nem o tempo pensado de minutos, nem as pessoas que conheço de vocês, tudo muda tanto que me dá enjoo. É que às vezes as palavras nos obrigam a usá-las mesmo sem que de fato queiramos dizê-las e isso se aproxima um pouco de onde eu quero chegar ainda que mais distante do que antes não pelo campo linguístico talvez algo mais magnético não se preocupe não vou falar de metafísica, não mesmo. Até porque eu não sei mais falar sobre quase nada que eu quase sabia antes. É claro que coisas novas aparecem, mas elas não me interessam e às vezes até me enjoam. Saberia discursar sobre o dia-a-dia da Winits, por exemplo, se em algum momento for do interesse de vocês... É que antes eu desconfiava estar ficando burra, mas era uma sensação passageira, agora é uma certeza, é diferente. Tenho lido, isso é verdade, não mais por uma questão de condição e é o que me salva, passar o olho pelo papel sem perceber o que fica, tem sido sempre assim. Faço uma viagem de duas horas e meia por dia, não tenho um Iphone e ouvir música demais às vezes me causa um embrulho no estômago terrível! Ler é o suficiente, imagino, pelo menos tem sido. É isso, tudo está sendo, e eu continuo enjoada sem saber o que sou, nem o que procuro ser, mas agora com o agravante de ter que me definir pra entrevista da capricho. Mas é claro que existem os pontos positivos dessa história toda, sempre existem, minhas unhas cresceram, tenho uma dermatologista e uma assessora, uma assinatura na minha carteira, o meu aluguel no final do mês, pessoas que fingem uma admiração incondicional e por algum motivo isso tudo é mais importante do que todo o resto que inclui vocês. Eu não tenho mais tempo pra nenhum de vocês. Nenhum de vocês, meus amigos, sem dúvida os melhores cabe na minha vida. E pior! Tenho a sensação de que nunca vou terminar de fazer o que eu tenho pra fazer. Assim sem rodeios. Cheio de pontos finais. Sem esse "livre" fluxo de pensamento- é Lissovsky isso?-Assim: objetivo. Sintético. Funcional. Sem poesia alguma, exatamente como tem sido pra mim. E é esse o momento em que choro e penso que tenho que aprender a fazer isso conscientemente, lá é muito importante como pra nós é falar do vazio ou determinar funções e dividir dramaturgias... E mais uma vez não sei se posso usar esse pronome, cada vez existe menos esse ‘nós’ antes tão trivial, nós da Miúda, nós do teatro de véspera, nós do ucrânia 3, nós do usina teatro, nós de cavalos e baias e bares e salas de ensaio, até caco pra mim já foi nós. Por dentro ainda sou cheia de nós, eu garanto! Só não sei mais a que nós pertenço e tenho vontade de vomitar e acabar com esse nó.. na garganta. Por isso precisei cuspir essas palavras, mesmo tendo que correr com elas agora e ir pro lado dos que escolhi pra jogar no meu time, mesmo sabendo que eram todos pernas-de-pau se comparados aos artilheiros que eu tinha do meu lado... Perder é sempre uma escolha difícil. Peço apenas que me mantenham assim, na reserva, sem me deixar virar torcida por completo, o que me tiraria a possibilidade de estar em campo, mas me faria extremamente feliz e orgulhosa! É que já tenho que ser feliz e orgulhosa o dia todo pra tantas lentes e planos que me dá ânsia só de pensar. Não deixem de fazer o que tiverem pra fazer, mas me respondam durante algum cafezinho depois do ensaio, ok?