Inês (para homem com colete salva-vidas) - Hoje tá balançando né? Onde você arranjou isso?
Ele - Eu sempre trago, não tem pra todo mundo.
Ana - Algum de vocês viu um flanelinha laranja? (percebe o colete) Porque o senhor tá vestindo esse negócio? (verifica o colete) Esse colete é da barca, sim.
Inês - Ah esse colete é da barca? Eu quero um.
... por mais distraídos que fôssemos, ainda era preciso buscar distrações
fragmentos do trabalho de João Castilho
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terça-feira, 12 de março de 2013
domingo, 3 de março de 2013
Expectativas depositadas em objetos aleatórios
A cena e os espectros: melancolia, luto e fantasmas.
A Melancolia aparece como figura iconológica na medicina, filosofia, artes, literatura, e astrologia articulando história e poética, cada qual com suas diferenças.
Século XX
“Luto e Melancolia” Freud - 1917
A Psicanálise relativiza o diagnóstigo assim como a Melancolia ocila entre contrários e não possui validade universal. Na psicanálise o sintoma está no discurso não no conteúdo. Agora é desde sempre. Freud procura entender no texto as diferenças e semelhaças do luto com a melancolia.
O luto consiste em um trabalho de superação da perda de um objeto de amor, desejo. Depois de imensa atividade psiquica o sujeito pode deslocar a sua libido para outro objeto de amor, se desligar do objeto perdido. O luto não é natural, é um trabalho cujo sucesso não é garantigo. “O luto poe o mundo em movimento” Agamben.
O melancólico muitas vezes não sabe o que foi perdido. A melancolia é uma patologia do luto, um luto fracassado. O sujeito se indentifica com o objeto perdido e a perda caí dentro. Caráter de auto-acusação, lamentos, queixas sobre si próprio. Ao mesmo tempo que se identifica com o objeto, então o investimento libidinal também caí dentro produzindo uma regressão narcísica e uma cizão do eu. Amar o objeto que cai em si e odiar a parte que ama. Um duelo interno que às vezes, na tentativa de matar o objeto introjetado, mata a sí próprio.
“A sombra do objeto cai no ego” Freud
A melancolia se apresenta para Freud de forma enigmática e paradoxal. A posse de uma perda se traduz na tentativa de se apropriar do inapreensível. Tomar posse de um impedimento, de uma impossibilidade Realizar a fantasia, não o real. O melancólico contempla os próprio fantasmas e lida com o impossível como um fracasso.
Ambivalência. O obejto perdido é ao mesmo tempo:
PERDIDO x APROPRIADO
O melancólico se queixa, precisa se comunicar, se auto desnudar e também dissimular. Há uma dimensão auto-crítica na queixa do melancólico, no pensar sobre seu pensamento e ao produzir a fala.
Agamben pensa que a operação artística no viés da melancolia se apropria do inapreensível, torna a realidade impossível, perde a realidade no momento que dá forma a ela.
Ambivalências:
Aristóteles - atividade intelectual imaginativa intensa (exaltação do pensamento)
(Resumo da matéria ATAT - Ângela Materno)
A Melancolia aparece como figura iconológica na medicina, filosofia, artes, literatura, e astrologia articulando história e poética, cada qual com suas diferenças.
Século XX
“Luto e Melancolia” Freud - 1917
A Psicanálise relativiza o diagnóstigo assim como a Melancolia ocila entre contrários e não possui validade universal. Na psicanálise o sintoma está no discurso não no conteúdo. Agora é desde sempre. Freud procura entender no texto as diferenças e semelhaças do luto com a melancolia.
O luto consiste em um trabalho de superação da perda de um objeto de amor, desejo. Depois de imensa atividade psiquica o sujeito pode deslocar a sua libido para outro objeto de amor, se desligar do objeto perdido. O luto não é natural, é um trabalho cujo sucesso não é garantigo. “O luto poe o mundo em movimento” Agamben.
O melancólico muitas vezes não sabe o que foi perdido. A melancolia é uma patologia do luto, um luto fracassado. O sujeito se indentifica com o objeto perdido e a perda caí dentro. Caráter de auto-acusação, lamentos, queixas sobre si próprio. Ao mesmo tempo que se identifica com o objeto, então o investimento libidinal também caí dentro produzindo uma regressão narcísica e uma cizão do eu. Amar o objeto que cai em si e odiar a parte que ama. Um duelo interno que às vezes, na tentativa de matar o objeto introjetado, mata a sí próprio.
“A sombra do objeto cai no ego” Freud
A melancolia se apresenta para Freud de forma enigmática e paradoxal. A posse de uma perda se traduz na tentativa de se apropriar do inapreensível. Tomar posse de um impedimento, de uma impossibilidade Realizar a fantasia, não o real. O melancólico contempla os próprio fantasmas e lida com o impossível como um fracasso.
Ambivalência. O obejto perdido é ao mesmo tempo:
PERDIDO x APROPRIADO
O melancólico se queixa, precisa se comunicar, se auto desnudar e também dissimular. Há uma dimensão auto-crítica na queixa do melancólico, no pensar sobre seu pensamento e ao produzir a fala.
Agamben pensa que a operação artística no viés da melancolia se apropria do inapreensível, torna a realidade impossível, perde a realidade no momento que dá forma a ela.
Ambivalências:
Aristóteles - atividade intelectual imaginativa intensa (exaltação do pensamento)
- torpor físico, imobilidade (abatimento do corpo)
Medieval - Acedia (inércia): Demônio do Meio Dia. O sol está maior, mas coberto por uma
sombra. Tensão de contrários: Sol Negro
Barroco - Saturno: demónio das antíteses: gere e engole seus filhos
- Pascal: "A grandeza do homem é grande naquilo em que ele se conhece
miserável"
Freud - ambivalência: amor e ódio. O amor pelo objeto perdido é imenso. partição em dois:
amar o objeto que cai em si e odiar a parte que o ama
(Resumo da matéria ATAT - Ângela Materno)
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Maça do amor
( Sistema esbarrão
4:
- A entra observa o
espaço e começa a materializar o detalhe descrito no blog de alguma forma.
- B entra e cria uma
trajetória no espaço que repete seguidas vezes.
- A começa a pensar
na relação do detalhe descrito com o que acontece na cena, em qualquer medida.
- C entra, observa a
trajetória e cria um impedimento, esbarra em B (A para de descrever/
narrar) - diálogo superficial entre B
e C.
- D entra,
cumprimenta todos.
- B finaliza a cena
com um acerto de contas fora do tempo em resposta ao esbarrão de C. Termina com uma reviravolta. )
- Descrição Victor - todo seu desenvolvimento e relação com a cena
- Analu séria e autoritária.
- Fe ofendida ("Ah, tava tenso o ambiente!")
- Atrito Fe e Ana.
- Cumprimento e chegada da Elisa (pulo nos costas da Fe/ maça do amor)
- Interscções entre discução e descrição (faixa de gaza)
- Imagem final: Victor e Elisa assistindo a cena.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Instruções para subir uma escada, de Julio Cortázar
Ninguém deve ter deixado de reparar que frequentemente o chão se dobra de uma maneira que uma parte sobe em ângulo reto com o plano do chão, e, em seguida, a próxima parte está colocada de maneira paralela a esse plano, dando vez a uma nova perpendicular, procedimento que se repete em espirais ou em linhas desiguais até alturas extremamente variáveis. Agachando-se e colocando-se a mão esquerda em uma das partes verticais e a mão direita na parte horizontal correspondente, logra-se a posse momentânea de um degrau ou escalão. Cada um desses degraus, formados, como pode-se ver, por dois elementos, está situado um pouco mais acima e mais adiante que o anterior, princípio que dá sentido à escada, já que qualquer outra combinação produziria formas talvez mais belas ou pitorescas, mas incapazes de transportar de um térreo a um primeiro andar.
As escadas se sobem de frente, pois de costas ou de lado são particularmente incômodas. A atitude natural é manter-se em pé, os braços dependurados sem esforços, a cabeça erguida, mas não o suficiente para que os olhos deixem de ver os degraus imediatamente superiores ao que se pisa, e respirando-se lenta e regularmente. Para subir uma escada deve-se começar por levantar essa parte do corpo situada à direita e abaixo, quase sempre envolta por couro ou camurça, e que, salvo exceções, cabe exatamente no escalão. Colocada no degrau dita parte, que, para abreviar, chamaremos de pé, recolhe-se a parte equivalente da esquerda (também chamada pé, mas que não se deve confundir com o pé anteriormente mencionado) e, levando-a à altura do pé, faz-se que continue até colocá-la no segundo degrau, com o que, neste, apoiará o pé, e no primeiro apoiará o pé. (Os primeiros degraus são os mais difíceis, até adquirir-se a coordenação necessária. A coincidência de nomes entre o pé e o pé torna difícil a explicação. É especialmente importante cuidar em não levantar ao mesmo tempo o pé e o pé.)
Chegando-se dessa forma ao segundo degrau, basta repetir alternadamente os movimentos até encontrar-se com o final da escada. Pode-se sair dela facilmente com um golpe ligeiro do calcanhar que o fixa em seu lugar, de onde não se moverá até o momento de descer.
texto original, aqui: http://www.literatura.org/Cortazar/Instrucciones.html
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Posso te pedir um favor?
Caro primo José,
Sei que há muito não nos falamos, acho que a última vez que nos vimos éramos ainda crianças. Acho que eu deveria ter uns doze anos e você no máximo dez. Consegui seu endereço com a tia Norma. Fiquei feliz ao saber que você conseguiu vencer na vida e que até conquistou seu próprio apartamento aí na cidade grande, como costumávamos dizer.
Soube também que você tem um cargo importante em uma grande empresa multinacional e que ainda por cima encontrou a metade da sua laranja, soube que você se casou. O mais curioso é que escrevo esta carta para um homem bem sucedido, mas quando penso em você vejo aquele menino de dez anos, para mim, na minha mente, não consigo imaginá-lo com seus quase quarenta anos. Quando em penso em você surge aquele menino com o rosto coberto de sardas e calças curtas, sempre suado de tanto que brincávamos e corríamos naquele campinho.
É engraçada essa imagem que formo desse menino vendendo veículos e morando em seu apartamento da cidade grande, todo suado e vestindo um short curtinho. A vida é tão inefável, não é mesmo? É tão imprevisível.
Me lembro que quando crianças costumávamos nos perguntar: O que você vai ser quando crescer?
Engenheiro eletrônico você dizia. Será que você se recorda qual era minha resposta? Astronauta é o que eu dizia que viria a ser. Como é obvio, não sou. Não serei. Tornei-me palhaço. Melhor dizendo a vida me tornou palhaço. Na verdade quando entrei para o circo eu almejava ser trapezista ou quem sabe um artista do escapismo. Mas a natureza não me ajudou, não tenho estrutura física para o trapézio e embora tenha muito fôlego me falta o charme que se tem que ter para um artista escapista. Sou capaz de ficar cinco minutos com a cabeça submersa na água, se você quiser quando nos encontrarmos posso fazer uma demonstração para você. Pode ser até mesmo em um balde cheio de água. Mas. enfim, eles precisavam de um palhaço.
Mas estou me delongando por demais. O motivo dessa carta, um tanto saudosa, é pedir-lhe um favor. O circo acabou, faliu, e eu não tenho para onde ir. Estou em Campinas e permanecerei aqui até o fim deste mês, mas depois pretendo ir a São Paulo em busca de algum trabalho e não tenho onde ficar. Este é o favor que te peço, que dê abrigo para mim e para minha esposa.
Estou casado a poucos meses, me casei com a mulher invisível. Ela também era do circo. Peço abrigo por pouco tempo só até um de nós conseguir um sustento para podermos pagar um aluguel.
Eu não sei o que será da minha vida, será que alguém sabe?
Olga, minha mulher, tem um dom, ela olha para qualquer pessoa e sabe como essa pessoa vai morrer. Mas apesar disso nem ela sabe o que será de sua vida. A propósito, eu morrerei de câncer de intestino, e ela de câncer de estômago. Nascemos um para o outro.
Fico por aqui, se acaso em nome dos bons tempos ou de seu generoso coração, puder me hospedar ligue-me nesse telefone. 0xx19-3213 1234.
É um telefone de recados.
Caro primo, me desculpe o tom saudoso e depressivo desta carta. Vivo um momento de grande angústia, estou muito assustado, quase sem esperanças. Te confesso isso pois quero poupar minha querida esposa, não quero que ela perceba a angústia que amargo. Eu quera ter fé, ou até mesmo um sonho. Eu queria olhar pro futuro e ver algo melhor do que um presente piorado. Queria olhar o presente e não sentir vergonha de mim. Tudo o que desejei se materializou em fracasso. Gostaria de te encontrar apenas para podermos correr naquele velho campinho. Sem preocupações, grandes ou pequenas.
Eu só queria correr, correr, correr...
Muito obrigado.
Saudade,
do seu primo Boris.
P.S. O que você foi quando era criança?
(Prólogo da peça "O que você foi quando era criança?, Lourenço Mutarelli)
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Na época, isso foi ontem! E ainda hoje parece ter sido.
A pouco tempo atrás, cheguei a classificar o enorme esforço feito para ir como "muito barulho por nada". Hoje, tendo acabado de sentir o chão firme de minha terra, fui obrigado a mudar minha opinião. Não pelo acontecimento como um todo mas pelas pessoas e, em especial, por você. Mais uma vez estou sendo obrigado a rever minha vida, tirando dela as histórias que tenho para contar - que gosto de contar. Na volta, conclui que você será mais uma delas. Dessas boas lembranças, que a gente gosta de ter.
Desde pequeno, meu lugar predileto é o aeroporto. Até hoje esse espaço me emociona, trazendo sensações que pouco sei ou procuro explicar. São viagens, chegadas, partidas, encontros, despedidas, muitos beijos, abraços, laços... É o poder de ir e vir que move o ser humano moderno - dono de seus caminhos e decisões.
Pois bem, eu fui! Ou melhor, fomos. A Dóris disse que, na verdade, todos foram só para eu encontrar você. Ela acredita em destino, caminho, essas coisas que dou pouco valor. Talvez eu precise também rever esse meu posicionamento. Me lembro agora que, enquanto eu tomava banho e você me fazia companhia, perguntou se eu acredito em Deus. Acredito, eu respondi. E são por essas situações que passo a acreditar mais. Por esses encontros que são como presentes, surpresas boas, antídotos poderosos para o coração.
Eu voltei, estou aqui, em casa: seguro, cansado, leve e pesado, feliz e saudoso. Já tenho saudade de ti. Uma vez, disse a alguém que minha vida é feita de saudade. Acho que tinha razão. Passamos tão pouco tempo um ao lado do outro que poderíamos julgar todo o ocorrido como loucura. Mas não. Se estivéssemos loucos, teríamos sido extremistas, como você mesmo disse, ou então desmedidos e por ai vai. Mas não. Soubemos respeitar o tempo e, o mais importante de tudo, nos respeitar também.
Eu voltei. e agora sou como uma bolha prestes a explodir de alegria e prazer. Mal sabe, mas foi você a pessoa que me devolveu a crença nas coisas que sempre busquei acreditar: no amor, no romance, no encontro de almas e também na química - como você disse. Não eu não me importo com a sua idade, pois você não tem vergonha dela. Na verdade, foi a partir dela e da lovely que começamos, de fato, a travar o início de uma longa conversa. Digo longa, pois meu corpo, embora sem contato, ainda conversa com o seu. É que foi tão doce que não sei explicar nem traduzir em palavras. A minha barriga é feia, eu disse, e você nem se importou porque o grande barato do momento era saber se eu sentia cócegas ou não. Sim eu sinto. O grande barato foi, e ainda é, ver como você consegue ser enorme em uma cidade tão pequena; Ver como sua beleza se destaca; Ver sua ousadia, seus óculos - para não falar dos seus desenhos. Ah, os seus desenhos. Trouxe um cadinho deles comigo, rabiscados em uma camiseta que deixou de ser comum e jamais ficará velha. Agora ela é uma daquelas camisetas que a gente guarda para sempre, sabe? Aquele tipo de roupa que fica com o cheiro do perfume da pessoa amada. Através dos seus desenhos, lembro-me de seu rosto, olhos, beijo e nariz. Lembro-me também de sua coragem em ter dividido momentos tão importantes comigo. Lembro-me de você ali no restaurante, com as mãos grudadas nas minhas, não se importando mais com os olhares alheios. Você não me deu nenhum beijo hoje - você disse. Eu não soube o que dizer porque todo o tempo que passei sem lhe beijar o fiz em respeito a você. Resolvemos o engano.
Naquela sala de aula, quente, no colchão tropicalista que sim, tens razão, daria um belíssimo casaco de moleton com zíper vermelho. Se um dia você o fizer saiba que será meu mais esta fabulosa peça odente. Como serão minhas também as peças que ainda vou encomendar. Agora que já tenho uma exclusiva, posso ter todas. Preciso dizer também que eu nem sabia que você adora jujuba, mas saindo do banheiro, os pacotinhos gritaram meu nome e eu, sem entender, os levei comigo. Bingo. Era jujuba o que você queria para aliviar aquela premiação para lá de tensa. É que ficou colado em mim o pedaço daquela parede, daquele cantinho, da grama daquele jardim. "Núúúúú", como você mesmo diria, expressando-se com entusiamo. É que ficaram em minha boca os sorrisos que demos, as alegrias que tivemos, o encontro marcado, que sem marcar ou pensar, realizamos. É que ficou na minha cabeça o quão especial foi tudo isso, o quão maduro e exato.
É que saí desesperado do ônibus, correndo pelo prédio da universidade a sua procura - para lhe dar o último beijo, abraço, para olhar seus olhos, talvez, pela última vez. É que sem todas aquelas fotos eu não poderia ir embora. Nós dois ali, mais uma vez, naquela sala e eu falando sobre abstrações do momento, levando as situações para a filosofia. Você poderia ter achado um saco. Mas não. Disse que quando eu falo a imagem que vem a sua cabeça é a de vários livros se abrindo e fazendo aquele barulho do rápido passar entre páginas. Pequenino, eu não sou tão inteligente assim. Eu queria ter dito, mas não consegui. Pois a imagem que fazia de mim naquele momento foi umas das mais belas que já esboçaram.
Sabe o que eu gosto mais em você? É que você quer ver todo mundo crescer, você também disse. Sim isso é verdade, procuro ajudar as pessoas sempre que posso. E procuro também torcer muito pelas que gosto. Mas nesses momentos, eu só tinha olhos para você e todo este entusiasmo que viu em mim, foi você quem gerou. Fui conhecer patos e me deparei com uma girafa, meu animal predileto - bonito, grande, do pescoço e corpo volumosos. Animal charmoso, presente e forte. Mais um para fazer compania a lovely, ao menino coelho e tantos outros bichos que por ai estão a andar, amar, conhecer e viver. É que realmente vivemos esses três dias de uma forma que jamais esquecerei. Agora entendo a força que não sei de onde tirei para me fazer presente nesta viagem, neste festival, neste eventopeçacoração.
Ver você na primeira fileira do teatro foi fabuloso. Ver você me esperando lá fora. Nos ver caminhando, cantando... um brinde, eu sugeri: a nós. É que ainda preciso brindar mais. É que ainda preciso respirar, guardar você direitinho. Já colei na agenda o desejo de feliz dia das crianças; já guardei a blusa que ainda está com o peso de suas mãos; já revi as fotos e quero ver as outras; já contei a alguns e quero dizer mais. Tudo que se vive dessa forma é preciso ser narrado nos mínimos detalhes, que foram muitos. Em breve, lhe mando a foto que pediu e ,junto com ela, minha saudade e carinho.
"Quando a lua apareceu
Ninguém sonhava mais do que eu
Já era tarde
Mas a noite é uma criança distraída
Depois que eu envelhecer
Ninguém precisa mais me dizer
Como é estranho ser humano
Nessas horas de partida..."
RISCADO, Caio. Preciso escrever, preciso do meu computador: eu disse in Casa de Avenca, http://www.casadeavenca.blogspot.com.br/search?updated-min=2009-01-01T00:00:00-08:00&updated-max=2010-01-01T00:00:00-08:00&max-results=42, Rio de Janeiro: 13 de outubro de 2009.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
alô, alô!! Wanda? E agora, como é que eu faço?
Eu quis tentar desistir em nome de um projeto. Quero dizer aqui que eu tinha um projeto! Era lindo!! Era tranquilo, o tempo, os pássaros, os amigos e eu mesma...! Ele era mesmo meu objeto de adoração e devo dizer que todas as minhas dores viravam suspiros quando eu lembrava dele!! Tocava até uma música!! Era lindo... era um projeto e eu sabia que... O mar... Eu nadava no mar. Sem parar eu nadava. E o projeto crescia e flutuava!! Por cima dos prédios e arranha-céus as folhas voavam... Gente!! Olha aqui!! Vem cá ver como ia ser lindo!!! Iam ter até cores!! Muitas cores! O que eu quero dizer com isso é que eu tinha um projeto!! E fui até Wanda, convicta de que seria o melhor pra todos. Eu me afastaria assim não tão afastada mas me afastaria para afinal deixar vocês com suas ruínas e eu com meu enorme projeto de lego colorido e flutuante. E ela me disse que esse projeto não existia. É mole? Agora mais essa! Que pra construir não existe projeto, pra construir existe o presente. E nunca se sabe como as coisas vão terminar... Acreditar num projeto é uma escolha medíocre, ela disse... O pior é que ela sabe que eu nasci pra projetar!! Essa é a unica coisa que sei fazer na vida! Passear pelos tempos.. Porra, Wanda, você sabe!!! eu disse. A Wanda me chamou de medíocre e o pior é que eu concordei. Projetar é ruína. É pisar na ruína pra dizer que ali vai existir... Já existe, só existe. Agora não dá mais tempo. É, Wanda... Estou aqui. Já enxergo os pedaços, os cabelos, as borboletas, as orações... Mas se o concreto me tira tanto, e você me tira o meu projeto... Pra onde eu vou?
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Ryan Mcginley
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Planejando ensaio
Estamos sempre apoiados num outro corpo, mesmo que seja o chão. O mais distante que conseguimos contemplar permanece fixo no espaço. Contemplar um objeto é apoiar nele fantasias. Estudar um objeto é o mesmo que estudar o espaço.
Quando um corpo entra em contato com outro, há um transferência de calor e energia entre eles. Essa relação entre os corpos é resultado de um apoio físico e principalmente afetivo.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Produção de subjetividade e depósito de crença em objetos aleatórios
Objetos em que depositamos algum tipo de crença, desejo, vontade e/ou produção de subjetividade. Objetos que, por si só, já anunciam uma ideia ou previsão de finitude. Elos criados para o funcionamento afetivo e social, modelos ultrapassados de contrato, acordos ou moldes utópicos. Ruínas que se compram, evidências delas. Mas mesmo assim o fazemos. Ainda não encontramos um novo modo de agir ou agenciar compromissos. Assinamos um contrato de casamento e, ao mesmo tempo em que selamos a nossa união afetiva, a existência do contrato é o que traz a materialidade para o fim da mesma. O contrato é a evidência do fim, é o suporte para uma reclamação ou questionamento posterior. O contrato é então maior do que amor. Seja lá o que ainda entendemos e praticamos como amor. O problema está no PAPEL. O problema está na representação que impregnamos ao objeto aleatório. Os noivos felizes, ali tudo parecia ainda ser construção, mas já era ruína. Ruína anunciada pela lei. É um direito do cidadão poder recorrer.
assim como o contrato,
segue uma pequena lista de objetos aleatórios:
- anel de noivado
- anel de casamento
- aliança de qualquer tipo
- contratos em geral
- conta conjunta em banco
- placas que batizam lugares
- placas que batizam pessoas
- placas que ditam regras
- placas e regras de um modo geral
- certidões
- procurações
- constituições
- planos de governo
- documentos de garantia
- constituições
- códigos de conduta
- tratados horizontais ou verticais
uma infinidade de find pré-estabelecidos
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