fragmentos do trabalho de João Castilho

domingo, 30 de dezembro de 2012

ensaio 2. 20/11/12



- A entra e em e observa o espaço, assim que B entra, A começa e descrever o espaço.
- B entra e cria uma trajetória no espaço que repete seguidas vezes.
- C entra, observa a trajetória e estabelece um impedimento, esbarrão.
No momento de encontro B e C, diálogo. A pára de descrever e só observa. Diálogo superficial, circunstancial até que B e C se despedem. Fim. 

- substituir a despedida por um acerto de contas fora do tempo entre B e C, para finalizar o jogo. )

Imagens:
- esbarrão Victor e Fe
- relação da Ana com o objeto, descrição
- Elisa em cima da Fe. “Você não acha a gente muito pretencioso?”. Desequilibram, Elisa cai e Fe bate com a cabeça (sorri) “Talvez.”.
- Elisa andando de quatro.

A, B, Inês e Analu

A - Opa, desculpa
B - De nada.
A - Machucou?
B - Médio. Eu gosto.
A - Entendi. Que pena. Eu tinha uma certa expectativa.
B - Não vem com esse papo pra cima de mim. (risos)
A - Não, é sério. Eu te vi e pensei: "ela é diferente".
B - De mim.
A - De mim.
B - Você é engraçada.
A - Eu sou bem sem graça na verdade
B - Pra mim você é engraçada.
A - Pra mim.
B - Pra mim.
A - Você mora aqui perto?
ANALU - Tanto faz
A - Oi?
B - E você é?
ANALU - Eu sou só isso aqui mesmo.
B (para A) - Acho que ela é Inês.
A - Ah, eu ouvi alguma coisa do tipo.
B (para A) - Você é daqui, então?
ANALU - Defina daqui
A - Daqui é daqui. Daqui desse lugar. Daqui.
ANALU - Gerada, concebida, nascida, crescida e envelhecida nesse metro quadrado daqui? Parece desesperador.
B (para Analu) - Eu acho que já te odeio.
ANALU - Nossa
A - É, nossa!
B - Nossa o que?
A - Nossa o que o que? Só Nossa.
B -  Porque "nossa"? De onde vem isso? Nossa? (elisa?)
ANALU - Nossa, de alguma coisa que pertence a nós. É como culpar toda a humanidade pelo erro de um.
A - Acho que é só Nossa. de Nossa Senhora.
B - Que senhora, gente? Que senhora é essa?
ANALU - Inês! Será?
A - Ah, então você não é Inês?
ANALU - Eu? Não.
A e B - Pena
ANALU - É, que pena. Bom, desculpa...
A -  É, a gente tinha uma certa expectativa.
(acenam e saem, para lados opostos)

sábado, 29 de dezembro de 2012

as mãozinhas dançando no ar


Louca. Doidinha, coitada. Aquela coisa... Está sozinha mesmo quando tem alguém por perto. Alonga os braços para alcançar outra mão que não diz nada. Fica sozinha de novo. Bate palma. Dança como se esperasse. Anda como se não acabasse. Brinca querendo brigar. Um erro comum. Observa, senta e observa. Outros andam, se preocupam, descrevem. Ela senta e observa. Aponta e ri. De novo, sozinha.. A auto suficiência constrange os outros. Eles vão embora. Ela nada, dança, observa. Caetano canta. Ela gira. Não liga. as costas dançam. A cabeça cai... as costas pesam... Leve deita. Volta e dança e nada. Não percebe o obstáculo, acha que se move sozinha. Finge que não liga. Brinca com os dedos dos pés, briga. Só restam eles. O espaço esperando ser dançado e Caetano. Então, ela esbarra.

- Opa!
- Desculpa... É que nunca vem ninguém por aqui...
- Sério? Eu moro aqui.
- ....

Você Me Vira a Cabeça - Alcione (ao vivo)


Fumar, tomar um vinho, dançar, girar, cheirar a camisa que alguém esqueceu e escorregar na porta fechada...



como ser odiada usando pouco tempo

(Te agarra como se fosse a ultima coisa a fazer no mundo)

- Nossa a peça foi ótima!! Você estava linda!
(Tentando se soltar) - Ah....... Obrigada!
(Usando o dedo indicador) - E ó deixa esse cabelo crescer, heim? Mulher tem que ter cabelo grande!
- Ahh... sim... Claro...

Amigo Oculto às vezes é melhor continuar oculto

N - Bom, se ela fosse um objeto.... Ué, objeto! Pode ser objeto?
A - Pode!! Pode ser qualquer coisa!
N - Bom, se ela fosse um objeto... Ela seria um abajour daqueles de pé... Com a luz no alto!!
V - Porra, sacanagem!! Qualquer coisa assim também não, né? É alguém, deixa eu ver... Alguém que fica à margem!!
G - Não, não, eu sei!! É alguém que ilumina!!
B - ah, então, é V!! Ela é a única que já deu a luz alguma vez...
V- Porra, sério que eu sou um abajour, cara? Sacanagem! Não tem nada a ver...
(Presentes entregues, fim de noite...)

V - Não, mas sério... Porque um abajour?

Tá tudo escuro

- Para! Para! 
- O que foi? Eu te machuquei?
- ...
- Tá tudo bem?
- Não, não tá tudo bem. Desculpa.
- ...
- É difícil, entende? É uma invasão, eu... Desculpa... Mas às vezes meu coração endurece, é uma dor.. e essas luzes todas me fazem delirar...
- Eu podia fazer isso a noite toda
(Quis mandar o idiota ir se foder, mas ia sobrar pra ela)
- Eu não to legal, por favor não encosta... Vai ficar tudo bem.
(Quis passar a noite olhando o teto, olhando em direção ao teto sem ver o fim. Ouvindo as goteiras e ver luzes piscando. Essa angustia, essa dor, não são dela. Ou melhor, agora são.)
- Com ele você disse que não sentia isso, né? Com todos sim, mas com ele não.
(Quis matar, socar, trucidar.)
- É sempre diferente... Eu só não quero falar sobre isso. 
(Já está quase amanhecendo mas parece que o dia nunca chega. Ela dorme com o barulho do despertador. Acorda já sem nojo. Entende. Jura nunca mais. Entende que é impossível. Lembra de girar. Gira. Lembra que girou. Pronto. Passou.)