fragmentos do trabalho de João Castilho

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Samurai

Quanto querer cabe dentro do fracasso? Gosto do fracasso do desamor choroso que desmancha lânguido no travesseiro do Homem que é só. Todos sabiam que não seria rápido transitar do controle, da opção pelo controle, da ilusão de controle até a exaustão transparente que tudo revela, tudo observa. Dizem que há uma arte de não interpretar como poesia corpórea do ator, o que finge que finge. Cair aos pés do vencedor, lançar água doce feito golpe nas suas fronteiras. Sussurrar o fracasso com gosto de maresia. É daí que surge a brisa. Ela invade. Não há brisa sem maresia. Não há fracasso que não se sinta atraído pelo balanço sonso do mar... Esse sim: onipresente, onipotente e tão ausente no querer. Mentira. Pára de mentir. Força forjada. Dizem que o amor atrai Samurais, vestidos de Baleia, na estação das Barcas, coreografados para o fracasso. Se não mata, feri. Apatia, desespero, vulnerabilidade, memória viva, corpo morto. A morte é a maior e mais evidente condição de estar vivo. É preciso estar vivo pra receber o fracasso, de braços abertos, divisas encharcadas, pernas esvoaçantes e pálpebras ácidas. A essa altura não dá pra negar a curva da existência. Guerreio desenhando um escudo atrás de mim mesmo, como quem nega o abismo hesitante. Esclarecedor. Convincente. Circunstancial. Tudo segue uma ordem? E nós?

quarta-feira, 3 de julho de 2013

ines

No Brasil, estimativa indicam que em 2010 cerca de 24 pessoas cometem suicídio por dia, principalmente em regiões mais desenvolvidas economicamente. Os maiores índices são do Rio Grande do Sul (11 para cada 100 mil), sendo Porto Alegre a capital com maior taxa de suicídios (11,9 para cada 100 mil).

sábado, 29 de junho de 2013

carta ines - segunda versao


ines: então o homo habilis criou a roda em que o hamster fica girando. girando. girando. girando... o ratinho falha com os prazos. demora demais para escolher um meio. erra a soma. reprova a sétima série... escolhas demais. muitas opções. não vai  alguns aniversarios por preguiça. fuge do exame de próstata. não se comove mais com o discurso de dor de ninguém. desculpa, hem... roi a gaiola e observa a rua. um homem tem um orgasmo, uma mulher espera. um ritual de encarnação. o contorno das unhas sangram. Ninguém em pé na calçada. os relógios foram trocados pela ansiedade das pernas. tec tec tec tec tec tec. um morto-vivo cai. caí dentro do meu próprio umbigo e me arrependi de nunca ter lavado bem. uma gargalhada e o metrô vai embora. um elevador grita. mãos suadas puxam a corda. a máquina não pode parar se não a cidade implode. a babá deixa o próprio filho e atravessa a baía pra cantar para o filho de outra. qual dos motivos eu escolho para ficar no meio do caminho? a pele é só superfície. seria injusto a essa altura não dizer que eu nunca fiz uma carta. que depois de um certo cansaço, você não tem mais nada para dizer. e não tem nada a ver com sorvete, borboleta, relógio, fado. querer dormir quando se tem uma insônia é muito mais parecido que qualquer outra metafora. é só dormir. sem verso, sem razão, sem preparo. cicuta e mel em 2 goladas e meia. pensar em 3 razões para não cuspir naquele cobertor compulsivo em cima de você. repulsão ao próprio corpo. autoflagelação. culpa cristã. vontade de trepar com o capeta. 3 pedras de carbureto. gora, ratinho, gira. às vezes a gente cansa! de ter a pálpebra transparente e a pele ácida. uma hora todo mundo vai embora. é diferente pra nós e pra eles, o tempo. e ai ter que fingir fingir. mas a gente falha. e a gaiola fechada é aberta demais para ser inundada pelo gás. mas vc acha que morreu. e dorme. sem carta. aí vc acorda. e tudo bem. porque você conseguiu dormir e o tempo continua passando esquisito. mas tudo bem. você consegue dormir. tudo bem. tudo bem. tudo bem.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

desabafo roy - segunda versão

acende um cigarro

Gente. Eu não to entendendo mais nada! Tem um homem e ele fica por aqui dando ordens e tentando fingir que coincidência é escolha. Por mais que eu seja distraída eu fico buscando distrações e eu tenho uma lista pra cumprir. Mas vocês… vocês não. O que eles querem é que a gente exploda de tanto comer pão de queijo, não dá pra perceber? Mas de quem eu tenho mais pena mesmo é da pequenininha....tadinha. Fica todo mundo se esbarrando e pedindo desculpa e esbarra de novo e pede desculpa.
Eu queria aprender a não pedir desculpas mas essa coisa premeditada  da alegria é muito decadente... Ihh...A gente nem se conhece. Desculpa. Ai, que exposição desnecessária.... A gente nem se conhece... Eu nem fumo na verdade...

come uma maçã enquanto fala. aos poucos vai ficando em pé em cima dos bancos

Eu tenho uma coisa pra falar. Ei! Eu preciso dizer uma coisa que eu comecei a pensar nos últimos minutos. Tem um homem aqui, o francês, ele é muito espaçoso e usa uns sapatos enormes. A mulher dele, coitada, é obrigada a lavar todos os dias as barcas ouvindo um monte de desaforo e ela consegue ser mais irritante quando esta bem-humorada. O nome dela é Inês porque perdeu toda a cor no mar. Ela era ruiva e deixa tudo , até a morte , com cheiro de maça verde. Enquanto isso você fica aqui, pegando sol, dançando. Hoje nem é seu aniversario! Seu nome nem é Homem. Eu to cansada de todo mundo me tratar como uma criança anã albina e to de saco cheio, de SACO CHEIO, de todo mundo fingir que nada aconteceu. Você nem trabalha aqui, eu perguntei pro moço. Pessoas não ficam por aí borboletando, como se voar e cair fosse a mesma coisa! Aquela bolsa tava aqui desde que eu cheguei. Não vem fingir que é normal, porque a gente mal se conhece e parece sempre que a gente nunca se viu ou que já somos íntimos. E para de me chamar de pequenininha e CHEGA de tradição. O homem corteja a menina. Barca tradicional. Tradicionalmente é falta de educação assobiar quando o outro tá falando. A probabilidade de soltarem a gente na índia e a gente nunca mais procurar a cara um do outro é maior que a probabilidade de isso tudo afundar agora. Será que vocês não percebem que depois que passa, fica tudo sozinho de novo? Ninguém tem controle. Vocês ficam se espiando no banheiro, inventando nome, tentando beijar os outros, mas o dinheiro que eu comprei a porra do pão de queijo era real. Vocês tão no meio do meu caminho e eu não esbarrei em nenhum menino albino em todo esse tempo. E talvez eu até pinte o meu cabelo para fingir que eu não sou ruiva. Se eu vou dar um tiro na sua cara ou não, quem vai saber? Vocês não me conhecem!
Eu estava chorando porque era mais fácil do que rir, mas não que divesse diferença. Era só agua da baia com derramamento de óleo. Eu estava parada, de olhos fechados, tentando me equilibrar e ouvi uma baleia passando. Nem tão fria que parecesse cínica, nem tao perto para ficar cega. Eu fiquei ali, esperando que a baleia me engolisse, no auge da sua crueldade, ela foi embora e me deixou vivendo. Eu só lembro do barulho do meu estomago. Ninguém vai embora, não?

quarta-feira, 19 de junho de 2013

primeiro corte


então o homo habilis criou a roda em que o hamster fica girando. girando. girando. girando... olha... falhei com os prazos. demorei demais para escolher um meio. errei a soma. reprovei a sétima série. fiz escolhas demais. tive muitas opções. não fui a alguns aniversarios por preguiça. fugi do meu exame de próstata. não me comovi com o discurso de dor de ninguém. desculpa, hem. um homem tem um orgasmo, uma mulher espera. um ritual de encarnação. o contorno das unhas sangram. Ninguém em pé na rua. os relógios foram trocados pela ansiedade das pernas. tec tec tec. um morto-vivo, sem nenhuma razão para existir a não ser provocar um acesso de cólera, numa cega que esbarra e cai por cima do corpo putrefato. caí dentro do meu próprio umbigo e me arrependi de nunca tê-lo lavado bem. uma gargalhada e o metrô vai embora. um elevador fogueteia. mãos suadas puxam a corda. a máquina não pode parar se não a cidade implode. a babá deixa o próprio filho e atravessa a baía pra cantar para o filho de outra. qual dos motivos eu escolho para ficar no meio do caminho? a pele é só superfície. seria injusto a essa altura não dizer que eu nunca fiz uma carta. que depois de um certo cansaço, você não tem mais nada para dizer. e não tem nada a ver com sorvete, borboleta, relógio, fado. querer dormir quando se tem uma insônia é muito mais parecido que qualquer outra metafora. é só dormir. sem verso, sem razão, sem preparo. cicuta e mel em 2 goladas e meia. pensar em 3 razões para não cuspir naquele cobertor compulsivo em cima de você. repulsão ao próprio corpo. autoflagelação. culpa cristã. vontade de trepar com o capeta. 3 pedras de carbureto. às vezes a gente cansa! de ter a pálpebra transparente e a pele ácida. uma hora todo mundo vai embora. é diferente pra nós e pra eles, o tempo. e ai ter que fingir fingir. mas a gente falha. e o apartamento pequeno é grande demais para ser inundado pelo gás. mas vc acha que morreu. e dorme. sem carta. aí vc acorda. e tudo bem. porque você conseguiu dormir e o tempo continua passando esquisito. mas tudo bem. você consegue dormir. tudo bem. tudo bem. tudo bem.

fim de partida


Eu não queria desistir antes da hora de fracassar completamente. Gosto do fracasso com gosto de maresia, subindo pela barriga da baleia como lodo. Cheirando a merda e livre arbítrio.
Tenho três argumentos. O primeiro é que não há ninguém mais observador do que eu nesse mundo, só Deus, assim mesmo é páreo duro, Ele leva vantagem pela onipresença; o segundo é que não há ninguém mais transparente do que eu, só a Baía de Guanabara mesmo; e o terceiro é que não há ninguém mais sonso do que eu, só mesmo vocês.
Resolvi radicalizar um pouco a minha estratégia.
A barca é da antiga e atrasou um minuto. Ela gira. Segue 899 destinos, deixando o rastro no caminho, que risca o mar preto com a espuma branca e o céu branco com a fumaça preta. 
Tudo nela conduz ao passado; das cadeiras azuis ''reformadas'' com os braços de madeira, que, descascando, denunciam a ruína, até as janelas guilhotinadas, tão generosas com o vento que invade. Do lado esquerdo, alguns projetos não realizados. Do direito, dezenas de motivos para o vôo. Coletes laranjas no alto. É proibido fumar.
Seu design 3542 veio de Nova Orleans, USA, em 1950. Uma cidade que já virou ruína tem uma construção viva, nadando na baia de cá. 
Pequenos lixos se acumulam rumo à eternidade dentro da mochila. Desculpa ter que forçar uma despedida. Eu queria ter entendido tudo isso um pouco mais que nada.
A treva está deixando de ficar atraente. E Ele, fracassado, não sabe mais se pode contar com a faxineira ruiva, a suicida apaixonada, a filha querida dos pais, o estudante, a deprimida, a dançarina, a síndica do prédio, o músico, a que rabisca, o gentil colaborador… 
Enfim. Chego. Sou levado a crer que há construções nada construtivas e ruínas pouco arruinadas. Tudo segue uma ordem. E nós… não passamos de 0 e 1.

Não bate palma que ela não gosta de barulho quando tá amamentando os filhotes.

domingo, 16 de junho de 2013

Só uma palavra me devora

Só uma palavra me devora, aquela que meu coração já se cansou de repetir em voz alta, bom tom e muito som. Sabe o que é? Fugiu do orçamento, do planejado. Mimado, classe média, explosivo... Para não ser medíocre, classe baixa, covarde. Que descontrole é esse. Tudo isso é medo, romantismo, repúdio à ideia de reprodução dos modelos de herança? Qual a real força da barca genealógica que nos move... ou comprime? A treva está deixando de ficar atraente. E Ele, fracassado, não sabe mais se pode contar com a faxineira que namora, a suicida apaixonada, a filha querida dos pais, o estudante, a deprimida, a dançarina, o   músico, o gentil colaborador... Enfim, já chega. O covarde sou mesmo eu. Desabafo aqui por sei que posso. Ou tá faltando personagem nessa história ou eu sobrei e ninguém ainda teve coragem de me dizer.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

desabafo

RORY:


Gente. Eu não to entendendo mais nada! Tem um homem e ele fica por aqui dando ordens e tentando fingir que coincidência é escolha. Por mais que eu seja distraída eu fico buscando distrações e eu tenho uma lista pra cumprir. Mas vocês… vocês não. Você fica aqui, pegando sol, dançando. O que eles querem é que a gente exploda de tanto comer pão de queijo, não dá pra perceber? Fica todo mundo se esbarrando e pedindo desculpa e esbarra de novo e pede desculpa. Hoje nem é seu aniversario! Seu nome nem é Homem. Eu to cansada de todo mundo me tratar como uma criança anã albina e to de saco cheio, de SACO CHEIO, de todo mundo fingir que nada aconteceu. Você nem trabalha aqui, eu perguntei pro moço. Pessoas não ficam por aí borboletando, como se voar e cair fosse a mesma coisa! Aquela bolsa tava aqui desde que eu cheguei e não é de ninguém. Não vem fingir que é normal, porque a gente mal se conhece e parece sempre que a gente nunca se viu ou que já somos íntimos. E para de me chamar de pequenininha, porque pequena é a a sua capacidade de analisar as coisas. É tudo uma tradição. O homem corteja a menina. Barca tradicional. Tradicionalmente é falta de educação assobiar quando o outro tá falando. Você acha que na lápide se escreve o nome ou quem foi? Quem é Inês? A probabilidade de soltarem a gente na índia e a gente nunca mais procurar a cara um do outro é maior que a probabilidade de isso tudo afundar agora. Será que vocês não percebem que depois que passa, fica tudo sozinho de novo? Para de fingir que existe controle. Nenhum de vocês sabe se eu vou entrar aqui ou não. Vocês ficam se espiando no banheiro, inventando nome, tentando beijar os outros, mas o dinheiro que eu comprei a porra do pão de queijo era real. Eu não sei de vocês. Eu sei de mim. E vocês tão no meu caminho. Eu não esbarrei em nenhum menino albino em todo esse tempo. E talvez eu até pinte o meu cabelo para fingir que eu não sou ruiva. Se eu vou dar um tiro na tua cara ou não, quem vai saber! Vocês não me conhecem! Vocês tão fazendo como se fosse desconfortâvel, mas ninguém quer ir embora! Inês? Cadê Inês? INES!


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Elisa, sinto falta das sutilezas e das coisas que você trouxe na composição. Texto, vontade, angústia... adoraria que vc terminasse de escrever comigo!

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Ensaio Aberto


coexistencia. encontros. perdemos o sentido cronologico. começamos nos encontros e a interação vai ganhando intimidade. a progressão é vaga. a intimidade é abrupta. do esbarrão em virtude do acaso para o íntimo não é linear. o tempo não é linear ou cíclico. é oscilante. 

tudo é banal. não há importância. o sentido não é a questão. não é fluido. nada acontece, como em beckett, mas tudo está presente. são vários momentos. a construção não é a da importancia e a da verdade. é a construção do qualquer coisa.

a barca não tem o fluxo da cidade. é uma dilatação da realidade. você é obrigado a esperar. 

as relações do não lugar e do não tempo não precisam ser esclarecidas.  

os objetos são aleatórios e a expectativa neles são escolhas. a usualidadecasualidade do objeto muda a cada olhar sobre ele.



surge a poténcia da poesía, do lírico. o verso é abrupto. em seu surgimento esfumaça. o corpo é uma potência como a palavra. 

o desequilíbrio é da barca ou pessoal?

a relação estava no espaço ou no pessoal?   que interessa? explorar o espaço? é dinâmico. Mas a barca é dinâmica? Falta sutileza. E a sutileza se dá no espaço. Eles ganham intimidade entre si, quando começarem a ganhar intimidade com a barca. Não conseguimos compartilhar da intimidade. Eles já são outras pessoas. Fico confusa sobre a personalidade. o banco é específico e o andaime é concreto, mas sua função é abstrata. o andaime vem contra o espaço da barca. 

a experiência real da barca é esgarçada. a barca é a espera da barca. é o ponto de ônibus. São os aeroportos e aviões. são os ires e voltares sem nunca sentir que se sai do lugar. diariamente, até o início.

a medida em que as relações forem acontecendo e ancorando, o espaço vai se firmando - sem deixar de ser fluido - e a barca fica mais palpável

nas relações superficiais, a gente não observa muito o espaço. 

a barca seria um outro personagem? ganhamos intimidade com o espaço que passamos todos os dias? será que damos carinho às coisas que não nos dão nada em troca?

A barca com o avião é um espaço que não tem nome. a fronteira é um entre. o lugar é vazio. indefinido. Se sai e se chega. o meio é invenção. 

O victor começa narrando. afoito. como se quisesse dar conta do acaso. suas camadas são a da narração - falha - e a materialidade, de apropriação - falha . O victor é uma falha. Não é possível dar conta.

Vamos fazer mais um momento de narração do Victor?

medo do silêncio.

medo do vazio

a gente se mexe pra não ser engolido pelo tempo.

primeiro eles deveriam ser distantes e ariscos, para a intimidade 

na imaginação do autor a personagem teriam uma essência que vista de fora seria uma caricatura. . o teatro é um equivoco. uma traição. se um homem não se revela ao autor, porque um personagem se revelaria para seu interprete?


- tá tudo bem?

- o excesso de desdito protege a distancia 

- você acha que tá longe?

- tá quase acabando

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rory: você quer conversar?

ines: não

rory: quer sentar do meu lado?

ines: a gente nem se conhece

rory: mas.. eu…

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ines: me fala uma coisa bonita?

victor: ah, essa de novo não. to ocupado escrevendo um romance

ines: hmmm

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ana: não sei por que compra o pão de queijo se vai fica tudo aqui.. (joga dentro da bolsa azul.)

sexta-feira, 7 de junho de 2013

ines

- ines, eu fiz um desenho seu
- eu to caindo
- não... você tá voando
- não... eu to caindo



domingo, 2 de junho de 2013

acontecimento barca em 360º

Foi logo num 25 de dezembro. Do ano passado. Meu pai, médico, não conseguiu trocar o dia de plantão e teve que trabalhar no natal, em Niterói. Fomos eu, minha mãe, meu irmão e minha vó almoçar com ele em Niterói mesmo e voltamos pro Rio de Janeiro de barca.
            Minha vó é do interior de São Paulo, nem sabia que a barca existia. Minha mãe mora em Petrópolis, nunca tinha andado de barca. Meu irmão, apesar de morar no Rio já ha uns meses, também não. Guiei eles para a entrada e a barca saiu.
            Já não lembro muito bem, mas em algum momento percebemos que a barca estava dando meia volta. Pensamos que havia acontecido alguma coisa no caminho, ficamos chateados de ter que voltar para Niterói e arranjar um outro jeito de sair de lá. Aí quando estávamos virados de volta para Niterói, a barca não seguiu reto. Continuou virando, nos deixando finalmente de frente para o Rio de Janeiro de novo. Aí ela não seguiu reto, continuou virando.
            Foram quatro horas rodando em volta de nós mesmos em plena Baía de Guanabara. Todos foram informados de que a barca tinha algum problema, mas que tava tudo bem. Claro que isso não evitou que muita gente entrasse em pânico. Em alguns segundos metade da barca, inclusive minha mãe e minha vó, já tinha garantido seu colete salva-vidas.
            E uma senhorinha, tadinha, que eu tava tentando acalmar com meus conhecimentos até relevantes do funcionamento de um barco, pediu pra, se alguma coisa acontecesse, eu salvar o filho dela e deixar ela pra lá. O filho aparentava ser uns 10 anos mais velho que eu, com seus 20 cm a mais de altura.

            Eventualmente outra barca emparelhou com a nossa, amarraram as duas e finalmente atracamos no Rio de Janeiro. Minha mãe, minha vó e o resto de meia barca tiraram os coletes, seguimos nossos caminhos pra casa. Como já tava tarde, pegamos um taxi. E ainda tivemos que ouvir nossa própria notícia no rádio. Rindo muito, é claro.

Por Maíra Barillo

sexta-feira, 31 de maio de 2013

quinta-feira, 30 de maio de 2013

uma imagem

ana quase parada. letárgica. todos passam apressados por ela. como se o mundo estivesse acelerado e ela estagnada. os três entram e saem sem parar, traçando retas para todos os lados. Ana cai no chão. no mesmo segundo todos ficam em câmera lenta. ana se levanta. fica na mesma posição. quando termina de se ajetiar, tudo volta ao ritmo normal. ela letárgica, eles motorizados.

ensaio 30 de maio

Duvido do prólogo. Preciso rever a composição da elisa. Sera que precisa ser tao deslocada?? Sera que nao coloco dados das barcas? não subestimar a plateia. nao subestimar a plateia. nao subestimar a plateia.

Mudar rubrica! E acrescentar dados das barcas: coletes, tripulacao, etc.  não subestimar a plateia. nao subestimar a plateia. nao subestimar a plateia.

Preciso juntar ines e as tomadas com wanda x. ines x. a que se suicida.... as outras te outros destinos

Extintor de incendio

E se o prologo for a analu dormindo?
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Rory desce do andaime.

Rory: uma senhora vomitou o banheiro inteiro pq ficou enjoada com esse cheiro de maçã verde.

Victor: estou reclamando da conduta dessa funcionaria ha tempos. ligo para o SAC e falo dessa funcionaria. a gente paga caro...... vc é digna de pena

Ana: vcs deviam pegar esses 4,50 e enfiar no cu

Rory: nossa. Aí que a gente vê quem recebeu educação em casa e quem não recebeu.

Inês: Vocês tão exagerando! Ela é ótima!

Ana: Brigada!

Inês: Me ajudou a achar meu brinco, já! Achar minha bolsa.

Victor: Como você perde coisa! Engraçado que eu nunca te vi com nada!

Rory: Ele é bem observador

Ana: Vou trabalhar!

Diálogo victor e rory ??

Anoitece. Ana fica nas barcas. Tira coisas de sua sacola e espalha pelo chão. Faz sua dança ritual de limpeza, canta e espalha produtos pelo chão.
(Composicao ana)
O foco vai para o andanime. Analu sobe enquanto victor, que estava escondido, desce. Ela danča em cima do andaime como se fosse um palco.
Victor começa a cantar com ela. No início ela se diverte, mas na altura da marcha fúnebre, ja acha assustador
(Dialogo A MANDO DE QUEM?)
Victor se revela em tom de brincadeira e ana relaxa. Deitam na varanda para olhar o céu. olham as nuvens. a fumaça. o cheiro de maçã verde indo embora com o vento. Rory entra e deita ao lado deles

Rory: voces sao muito esquisitos?
Victor: ta perdida pequenininha?
Ana: eu posso cuidar de você
Rory: tá td bem. Eu sou baixinha mas sou um pouco mais velha
Ana: hmmmm
Victor: ta bom, pequenininha
analisam a cidade de cabeça para baixo. comentam sobre os prédios.
DIALOGO ARQUITETO a tres

Amanhece. Rory gira o banco, revelando um altar de ana, preso com pregos atras dos bancos. Victor senta de costas na cadeira com o braco estirado para os lados. Ana continua pegando sol. Ines entra. Para. Desconfia que alguma coisa esta errada.

Ines: engracado. Nao vi voces entrarem na minha frente.
Ana volta trazendo chapeu de festa e aniversario de crianca e cantando parabens para o victor
ele fica emocionado, agradece
ana: quantos anos?
victor nao responde:
ana: hem, quantos anos?
victor, ah, alguns..
ana: aah, diz pra gente! (tenta puxar uma coro) quantos aaaanosss quantooosss anooss (ninguem aocmpanha). dá aqui deixa eu ver sua identidade.
victor: nao trouxe
ana: mentira, tá aqui no bolso, deixa eu ver. (eles brigam um pouco com os braços até que ana  consegue arrancar a identidade dele. olha, fica seria e joga no chao.)
Victor: Ana, ana! (sai atra dela)
Inês: e eu, ue?

ines sai, rory pega a identidade no chao, guarda no bolso,  risca a lista atras da cadeira e sai.

antes de nao me matar

falhei com os prazos. demorei demais para escolher um meio. não dei conta de vocês. não consegui que ninguém se apaixonasse por mim, nunca. reprovei a sétima série. não fui a alguns aniversarios por preguiça. não me comovi com o discurso de dor de ninguém. caí dentro do meu próprio umbigo e me arrependi de nunca tê-lo lavado bem. seria injusto a essa altura não dizer que eu nunca fiz uma carta suicida. que depois de um certo cansaço, você não tem mais nada para dizer. e não tem nada a ver com sorvete, borboleta, relógio, fado. querer dormir quando se tem uma insônia é muito mais parecido com a vontade de se matar que qualquer outra metáfora. é só dormir. sem verso, sem razão, sem preparo. às vezes a gente cansa de ter a pálpebra transparente e a pele ácida. ninguém fica perto muito tempo. é diferente pra nós e pra eles, o tempo. e ai ter que fingir fingir. mas a gente falha. e o apartamento pequeno é grande demais para ser inundado pelo gás. mas vc acha que morreu. e dorme. sem carta. aí vc acorda. e tudo bem. porque você conseguiu dormir e o tempo continua passando esquisito. mas tudo bem. você consegue dormir. tudo bem. tudo bem.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Eu nunca direi isso. (matriz)

Antes de me matar eu não queria dizer mas a gente sempre acaba perdendo o meio do caminho e se vê obrigado a catar as migalhas de palavras que ficam pelo chão. Eu só queria deixar muito claro que eu não o encontrei. O chapéu. Não pelo chapéu, mas pelos minutos que acabam por se transformar em horas, dias, anos, tempos, e.... Eu fracassei com os relógios. Queria ter me tornado aeromoça, só que me esqueço nas ordens e tropeço, e digo  "é engano",gosto da paisagem de cima. Não suporto continuar aqui com a ideia de que sempre terão pessoas apertadas em um metrô a todo o momento.Tenho claustrofobia desde pequena e a superfície agrada até o momento que percebemos a existência dela. Silenciosa. Grande.Aí fico tentando ir cada vez mais fundo, mais fundo, me afogo nas esperanças de um dia conseguir tocá-la.
   Antes de me matar eu queria dizer que mesmo sendo proibido alimentar os animais, até mesmo viajar com eles, eu a alimentei de expectativas frustradas que amargaram ainda mais com o tempo e agora ela está prestes a me vomitar e me deixar esfriar....... boiando.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Antes de... e queria te dizer ....

É.. desde criança eu pensava ter visão de raio-x e isso agora parece não servir pra nada. Os colos, as manhas, as brigas, as tardes de Sol na praia, o sorvete de creme com brownie, a segurança, as mãos dadas, os olhares. Tudo, todos. Distantes agressivos e engraçados. Não lembro de grande parte dos amores que tive, das dúvidas que tive, das crises que tive, das tartarugas que tive, das espinhas que tive, dos filhos que tive provavelmente agora também já não importam. Queria mesmo ter ficado com aquele cara apesar de todo mundo dizer eu merecia melhor. Eu não sei não. Ele parecia bom. Bem bom. Queria mesmo era ter arriscado menos, ou mais ou... Queria ter escolhido mais. Queria não ter escolhido. Poder escolher tudo... Queria transbordar alguma vez, queria explodir, ser totalmente transparente, translúcida e azul tudo ao mesmo tempo girando no ar.. Enquanto isso as pessoas em volta de mim iam esquecendo pouco a pouco tudo o que já tinham vivido, cada pequena informação, cada segundo de toxina mental, cheiro, textura, palavra e voltariam a ser seres silenciosos, espontâneos e burros, ignorantes mesmo. E nesse momento eu explodiria com um grito que seria assim como um canto, um gemido ou algo que ecoasse macio e lento... Poderia ser um fado também. É. Um fado. Depois disso eu não existiria mais, nem ninguém, nem as personalidades, as notícias, os gostos, as lojas, as conversas, os "bom dia!"s, as ambições, as culpas, os pesos, iriam todos comigo. Inclusive não sobraria nem quem pudesse contar essa história depois e fazê-la virar lixo de novo. Não, eu não cairia nesse risco. Eu vou afogar tudo isso comigo, em mim e não vou ser notícia pra ninguém. Não ia sobrar nem a espuma branca no mar negro nem o mar branco no céu... Como é mesmo? Tô apagando os afetos pra lembrar das notícias. Era isso, na verdade. Se alguém perguntar por mim, você diz que eu não to? Que eu nunca existi.
antes de me matar eu queria te dizer, te agradecer, obrigada. ( NAOOO)
antes de me matar eu queria te dar um beijo de baleia. ( NAOOOO)
antes de me matar eu queria tomar um banho quente e ficar um tempo enrolada na toalha. (NAOOO)
antes de me matar eu queria cantar pra alguem dormir.  ( NAOOO)
antes de me matar eu queria que a pequena cantasse.

Antes de me matar eu queria te dizer que vc nao me conhece.
 Apesar de ja me ter segurado no colo e cantado alguns parabéns pra vc.
A sua mentira e a sua doença me mataram um pouquinho a cada dia.
Morro com um vale presente seu na bolsa. Vale um CAVALO.
Nunca troquei pq nunca tive onde amarra-lo.
Vc nao me conhece mas me agrada.

Antes de me matar eu queria te dizer que nao teve um dia que eu nao pensei em vc.
 Que nao senti o seu cheiro.
A sua falta.
Que se fiquei até agora foi pq contigo aprendi sobre as fendas, as brechas, as pisadas falsas.

Antes de me matar eu queria te dizer que o teu sinal foi certeiro.
Que a sua dança conduziu a minha ponta de pé.
Que tudo o que eu tenho aqui é seu. NADA.

Antes de me matar eu queria te dizer que é dificil dizer, porque é presente e o futuro nao vai ter entao talvez vc já saiba.

Antes de me matar eu queria te dizer que nunca te entendi totalmente.
Que nunca fui no teu fundo.
Que sempre vi suas caras e que so isso ja me fazia crescer.

queria te dizer que esse foi o encontro mais lindo.
 A força mais estranha.
A certeza mais bruta.
O escuro mais claro.

e que nada disso tem a ver com vc.

PS: o que acontece com os nervos?
e com as borboletas?
o problema das arvores e da politica me transformam numa vaca nervosa. Sentada de vestido, tomando com canudinho, esperando sua vez de ser abatida. ( NAOOOO)


PSS : ta muito confuso mas se eu for mais racional, fico parada aqui com esse guarda chuva ate o tempo mudar. ( NAOOOO)

desculpa nao consigo mais nada.

Para Inês, antes de morrer

Antes de morrer, queria mesmo é saborear um bom sorvete de tapioca olhando daqui mesmo, pra essa paisagem que eu escolhi. Traria comigo, para trocar, o livro que fiquei na dúvida se ela já teria, ou gostaria, ou já teria lido, ou não. Apagaria da memória dedicatórias esquecidas. Crônicas. Fados. Contos. Viagens. Melodias. Harmonias ausentes. Dores pontiagudas. Náuseas. Quereres que me tornavam apática diante dessa multidão de um milhão de solitários carregados de maquiagem, da aparência que eles me provocavam. Ah, eu teria sido e vencido outros, ruínas que eu mesma construí pra mim, e que hoje eu não colocaria sequer a mão na areia que já se mostrava movediça desde o início. Mas o tempo é tempo, esmagado ou não, ele passa, eu passo e talvez ele não me permita realizar tudo isso, antes de morrer. Se ele me permitir, ainda assim, morro INÊS.